SEMPRE EM FORMAÇÃO

Só a continuidade de um bom trabalho nos trará títulos

Escrever apenas sobre um jogo sem contextualizar com o desenvolvimento de uma equipe me parece algo separado da lógica. Ou pior do que isso, eu estaria cometendo aquilo que digo é o maior dos erros: Estabelecer conceitos (ou seriam preconceitos?) por 90 minutos. Deixo este simplismo para os comentaristas de resultado.

O time do GRÊMIO não está pronto. E é uma pena que, em mais uma temporada, chegamos ao mês de setembro neste estágio de ‘equipe em formação’. Resultado de erros, obviamente, mas também de falta de continuidade e paciência.

Felipão está fazendo um bom trabalho. Ainda longe da perfeição, especialmente nas substituições que faz durante as partidas. Porém, mesmo com o pouco conhecimento que tem do grupo, e o tempo de trabalho, já demonstra avanços. Na sequência estará pronto para colher frutos.

Geromel vem se afirmando como um jogador de boa técnica e ótima impulsão. Erra muito pouco. Quase não dá chutão, buscando sempre o passe para frente. Tem feito ótimos jogos ao lado de Rhodolfo. Boa dupla, novamente, contra a Chapecoense. O entrosamento pode fazer melhorar ainda mais, inclusive ajudando na bola aérea ofensiva. A composição ainda é recente.

Zé Roberto também repetiu boa atuação. É tecnicamente diferenciado. E na lateral ajuda mais do que no meio, onde vinha sendo lento e pouco criativo. Enquanto isso, o Pará segue o mesmo. Não vai mudar. Não serve. Vimos o suficiente para concluir.

Já o ataque não pode ser analisado e muito menos culpado sozinho pela dificuldade em fazer gols. Equipes que fazem muitos gols chegam com no mínimo 6 jogadores dentro ou perto da área do adversário. Não tem sido a nossa realidade.

Barcos é decisivo quanto converte e quando, com qualidade, faz as jogadas para os companheiros. E Dudu, se realmente ainda peca na jogada final, tem velocidade, drible e coragem para propor o jogo e abrir espaços. Sem falar do seu suor na recomposição defensiva. É jovem. Pode evoluir muito e tem potencial para isso. Soma-se a estes o Luan, que tem muita qualidade, mas é ainda mais menino. Oscila. Inclusive durante a partida. Ou seja, atacamos, via de regra, com apenas 3, sendo que 2 ainda jogadores em crescimento.

No meio, esta formação de três jogadores mais posicionados, sendo eles Wallace, Felipe e Biteco, precisa evoluir na mecânica. Mesmo contra a Chapecoense se pode perceber o mesmo de outras partidas, onde o posicionamento se confunde, e os buracos aparecem. Fica claro que o Biteco está mais liberado pelo treinador para chegar mais perto do gol adversário. A opção certamente observou maior velocidade no menino do que em seus pares. Talvez seja o caminho. São 3 bons jogadores, aparentemente.

Fato é que, em setembro, somos uma ‘equipe em formação’. Com bons resultados e boas perspectivas. Só que não prontos.

Para chegarmos ao resultado temos que fazer diferente do que se tem feito há muitos anos e gestões. É preciso sequência, análise e evolução. Não há mágica que construa um campeão.

Quero ver mais Alan Ruiz, Giuliano e Fernandinho. Bons jogadores, que podem ajudar muito ou até mudar a forma de jogar. Quero ver o Lucas Coelho tendo mais chances, por vezes, quem sabe, ao lado do Barcos. Entre outros que possuem qualidade e que não podem, ao final de cada temporada, serem dispensados pela falta de paciência e sequência de trabalho, para ganhar títulos em outros clubes.

É a minha opinião.

Juliano Ferrer

Conselheiro do Grêmio e integrante Grupo Grêmio Imortal


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