SOBRE A DEMOCRACIA GREMISTA

Na noite de hoje, 18 de agosto de 2014, me senti feliz por participar da democracia gremista. Numa reunião do Conselho Deliberativo, várias proposições de alteração dos nossos estatutos foram debatidas, sempre com espírito cordial e com absoluta liberdade de expressão. Uma só foi aprovada, a que trata da volta do cargo de Vice-Presidente de Futebol, nomeado pelo Presidente do Clube, com direito de participar das reuniões do Conselho Administrativo. Pode parecer pouco, mas não é.

Na semana passada, meu sentimento foi de que os grupos políticos pensaram primeiro em seus interesses eleitorais, e só depois no interesse do Grêmio. Hoje conseguimos chegar a uma ampla maioria pela volta do Vice-Presidente de Futebol, e por detalhes não avançamos em outras propostas, igualmente importantes, como o mandato de três anos e a simultaneidade das eleições para os Conselhos de Administração e Deliberativo. E, terminadas as votações, todos os grupos estavam dispostos a continuar o debate e, quem sabe, mudar as propostas até se chegar numa ampla maioria. Ninguém perde quando as ideias são democraticamente debatidas e votadas. Todos vencem, porque ganhou a democracia gremista.

O nosso grupo, o Grêmio Imortal, teve papel de protagonista neste debate, pois apresentamos várias propostas, as defendemos e soubemos articular com outros grupos para que o bem do Grêmio fosse alcançado. Num impasse relativo à forma de votação da proposta vencedora (a volta do Vice-Presidente de Futebol) renunciamos à nossa redação e abraçamos o texto apresentado pelo Grêmio Unido. E aí, unidos, na prática, ao sentimento de quase todos os conselheiros presentes, avançamos no aperfeiçoamento do nosso estatuto. Isso é a essência da nossa função: deliberar e fazer o Grêmio melhor.

Também fiquei feliz em discutir com meus colegas aspectos filosóficos da democracia. Será que uma eleição simultânea para cargos executivos (eleitos por maioria) e legislativos (eleitos proporcionalmente) é uma eleição “perigosa”? Se é, vivemos perigosamente no Brasil há muito tempo. Não vejo perigo algum. Mas estou disposto a ouvir o contraditório e poderia ser convencido a mudar de opinião. Quero, entretanto, ouvir argumentos concretos, inclusive se eles tiverem uma verdadeira base filosófica. Nietzsche nos ensinou que a filosofia e a ética são históricas e não podem ser retiradas do tempo presente. Vamos ao debate. Que ele seja muito apaixonado, tremendamente racional, sempre emocional – a verdadeira emoção nos ajuda a pensar e a viver a política com intensidade – e regrado pela convivência cordial das ideias opostas. E viva a democracia gremista!

Carlos Gerbase
Vice-presidente do Grupo Grêmio Imortal e Conselheiro do Grêmio

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