O FATALISTA

Não me considero um fatalista na forma como de maneira geral encaro a vida.

Acho que, na maioria esmagadora das vezes, nenhum evento que acontece é resultado de um único ato ou ação.

Ser fatalista significa, para mim, além da definição clássica da palavra, ser simplista e reducionista.

Pois bem, no futebol, o fatalismo prospera e, querem saber, com toda a razão.

Quando vi a escalação do nosso Grêmio antes do jogo fui fatalista….
Os heróis e vilões deste esporte sempre surgem e se eternizam assim…em momentos fatais…a favor ou contra seus times.

No Grenal de 10-08-2014 (Dia dos Pais), o Grêmio mais uma vez foi vítima do fatalismo.

O jogo vinha se desenhando bem para nosso tricolor.

No primeiro tempo, tivemos a chance de gol mais clara do jogo e, para espanto de muitos, numa jogada bem trabalhada e de contra-ataque.

No segundo tempo, as ações de ambas partes estavam equilibradas com uma leve tendência de volume de jogo a nosso favor.

Mas aí, o fatalismo entrou em campo. Ele entra em campo sempre, seja contra ou a favor.

Ontem, domingo 10-08-14, ele entrou em campo e escreveu mais uma pagina. Gol do arqui-rival. 0 a 1.

Pressão do Grêmio, escanteio mal batido a nosso favor. Lá vai o fatalismo entrar em campo novamente! 0 a 2…

Entendam. Serei bem objetivo para que não restem dúvidas.

É claro que acredito no planejamento de futebol. É evidente que entendo ser crucial um trabalho de médio/longo prazo. É obvio que temos de trabalhar categorias de base…

Através deste conjunto de ferramentas e com muito trabalho, o clube de ponta se protege contra o fatalismo “ruim” e fomenta o “bom “.

Mas, o fatalismo não respeita trabalhos de médio prazo e investimento em categoria de base durante os 90 minutos…Ele é impiedoso e não perdoa.

O fatalismo derruba, muitas vezes, belíssimos trabalhos de longo prazo. “Ele” é implacável no segundo…no milésimo de segundo…

Jogadores fadados e falhar em momentos decisivos vão, certamente, falhar quando o jogo estiver equilibrado e encruado. É dogma!

Não vou citar nomes, não preciso…vocês sabem quem foram nossos representantes em campo do fatalismo, neste caso, negativo.

Mesmo com a derrota, em pouco tempo de trabalho já percebi um grupo mais indignado e irresignado, apesar do resultado ter sido péssimo para todas nossas pretensões.

O trabalho de Luiz F. Scolari se inicia com uma derrota que, tenho certeza, não ocorreria se ele já estivesse no clube a mais tempo, pois ele mesmo já resumiu todo este texto em uma frase que nunca esquecerei:

“Jogador ruim não pode ficar no grupo, no banco…tem de mandar embora, porque se ficar acaba entrando e jogando”.

Saudações Tricolores

Tiago Brum
Vice-presidente do GGI e Conselheiro do Grêmio

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