DISCURSO FORTE E CONFIANÇA

Não foi apenas um jogo. Foi o fechamento de uma fase e a possibilidade de analisar o futuro. E se o presente é médio, a seqüência também se apresenta medíocre.

Quem me conhece sabe que trabalho sempre no sentido do otimismo. Meu jeito de ser e levar a vida. E neste caminho não posso negar que a campanha do Grêmio na “primeira fase” do Brasileiro antes da parada da Copa não é ruim. Enfrentamos uma tabela relativamente difícil, com poucos jogos na Arena, vindos de traumas fortes – Gauchão e Libertadores – mas mesmo assim estamos 4 pontos, apenas, atrás do líder.

Então estamos bem? Não, não estamos. E aqui se vai meu otimismo por água abaixo, dando lugar ao necessário realismo.

Não admito ser médio no campeonato. Nem me basta vaga para a Libertadores. Quero, sim, o título. A atuação de hoje não aponta para isso.

Não acho o grupo do Grêmio ruim. Tenho convicção de que dentro de uma nova realidade financeira que assola a todos, se conseguiu montar um elenco competitivo, com criatividade e valorização da base.

O treinador, por seu lado, parece ter o grupo na mão, e já demonstrou que, longe de ser perfeito, mais acerta do que erra. Já tivemos partidas empolgantes, outras nem tanto, e outras tristes.

Mas tudo isso é médio. Então o que falta?

Confiança. Coragem. Impetuosidade. Animação. E para conquistar isso o discurso de vestiário é essencial.

Neste jogo contra o Palmeiras ficou clara a falta de crença na possibilidade de ganhar. E mais grave, se começou a pensar que o melhor sempre está no banco ou mesmo sequer relacionado, esquecendo que não faz muito estes mesmos que hoje ressurgem eram considerados dispensáveis. Tudo é resultado da falta de convicção na própria capacidade.

O vestiário precisa de força. Discurso de energia. De efetiva crença de que podemos, sim, brigar pelo título. Talvez o Diretor Executivo – de bom trabalho, na minha opinião – esteja necessitando de ajuda.

Rogo que a assinatura do novo aditivo com a OAS retire da pauta este importante tema ‘Arena’, e tudo vire a gestão e o futebol. Que a partir disso tenhamos a condição de buscar maior qualificação do grupo – especialmente no ataque -, e que principalmente possamos dar coragem para aqueles que estão aí. Isso é papel da direção.

O ‘acreditar’ e fazer acontecer precisa surgir dentro dos gabinetes, impregnar o vestiário e chegar na torcida. Com discurso forte e confiante, dentro de um campeonato em que a mediocridade impera, nosso grupo, também mediano, poderá ser impetuoso e ganhador. Do contrário, sugiro não assistir aos jogos quando estiver com sono.

É a minha opinião.

Juliano Ferrer
Conselheiro do Grêmio e Integrante do Grupo Grêmio Imortal

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