QUE FAZER? POR ONDE COMEÇAR?

Que jogo ruim! O resultado – empate fora de casa – pode não ser tão ruim quanto o jogo, mas a relativa satisfação com que foi recebido pelos jogadores e pela direção demonstra que nossos sonhos foram muito reduzidos. A frase “É difícil jogar aqui na Vila” é uma bobagem. Difícil foi jogar no estádio-potreiro do São Paulo de Rio Grande. A Vila tem ótimo gramado e era menos de 8 mil torcedores presentes. Um cenário excelente para reencontrar algum equilíbrio técnico e tático. Mas não houve equilíbrio emocional. A bola tava queimando como batata quente. As chuteiras de grife pareciam estar constrangidas com a inabilidade seus donos. O gol adversário parecia inalcançável, com exceção daquela jogada de Dudu no começo, e havia um evidente terror pela possibilidade de levar um gol.

O Grêmio tem que ser melhor do que aquele time confuso e constrangedor da Vila, ou ficaremos, com sorte, pelo meio da tabela. O Grêmio precisa reencontrar a organização e as jogadas trabalhadas do começo do ano. E vai ter que ser com este técnico e com este grupo. O presidente Koff já bancou o Felipão, que não tinha experiência em clube grande e apanhou bastante no começo. Vai fazer o mesmo com o Enderson, mas só se ele arrumar o time outra vez e ganhar alguns jogos. Os tempos são outros. A paciência diminuiu na razão direta do jejum de títulos. Os prazos de validade ficaram mais curtos.

Que fazer? Por onde começar? Perguntas clássicas. Antes de começar é preciso saber onde queremos chegar. Eu proponho (e não estou sozinho nessa proposta, tenho certeza) um modelo de time ao melhor estilo Grêmio, unindo solidez defensiva, muito combate no meio-campo, velocidade na transição e um ataque que funcione nos momentos decisivos. E me arrisco a propor cinco medidas de curto prazo, com certeza pouco originais:

(1) Substituição do Pará, por enquanto por Ramiro, depois por outro lateral;

(2) Aposentadoria para o Zé Roberto, que vai acabar entrando no time de novo se ficar à disposição no banco. Zé Roberto nunca decide jogo. E a “técnica apurada” que vá pro quinto dos infernos;

(3) Diagnóstico URGENTE quanto à queda de rendimento do Luan. O que aconteceu com ele? Botou três pinos na mão e quatro no cérebro? Quem operou esse guri?;

(4) Apresentar o Dudu pro Barcos, explicar que eles jogam no mesmo time e que podem passar a bola um pro outro. Eu ainda acredito nesse ataque. Também acredito em Santo Expedito. Valha-me, meu santo!;

(5) Diálogo mais incisivo da diretoria com a torcida. Mas com TODA a torcida. Organizada e, especialmente, a desorganizada, a anônima, a que sai do estádio com a cabeça inchada, mas que volta dali a três dias para aplaudir e vibrar outra vez.

Em tempo: nossos “inimigos” são os problemas do próprio Grêmio, e não outros clubes, nem outras pessoas. Muito menos os jogadores, que têm suas óbvias limitações. Pelo bem de todos nós, é momento de desarmar os ânimos. As torcidas antes atiravam saquinhos de plástico com urina. Agora atiram privadas. E matam pessoas. Isso não tem nada a ver com futebol. Mas é decorrência do mesmo acirramento de ânimos. Ou aprendemos a perder, ou aprendemos a suportar a derrota com coragem, fibra e determinação em busca de vitórias, ou o futebol vai perder seu sentido.

Carlos Gerbase
Conselheiro do Grêmio e Vice-Presidente do Grupo Grêmio Imortal

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