PARA QUEBRAR UM CICLO VICIOSO

Na hora da dificuldade é que deve surgir a maior força de reação. E para isso me motivei a escrever este texto sobre o nosso Grêmio. Especialmente após longas conversas com amigos do Grupo Grêmio Imortal e tantos outros gremistas iguais a mim.

Gostaria de possuir mais informações para opinar. Se engana quem acha que sendo Conselheiro do clube, e portanto representante dos associados, se tem detalhes da administração. Muito menos ainda do futebol. E essa cultura, equivocada, é antiga e arreigada. Não é culpa desta ou daquela gestão, e sim de todos nós. Todos nós ficamos inertes ante a falta de informação e debate.

Falar de futebol no Conselho Deliberativo é visto como um tabu. É evidente que discutir se este ou aquele jogador é bom ou ruim seria propiciar um debate estéril naquela casa. Porém conhecer do planejamento, dos objetivos e planos para alcançar, assim como explicar o que e como se pretende formar um grupo de jogadores, é obrigação do Conselheiro. E este precisa ser informado pela gestão administrativa. Isso agregaria idéias ao trabalho, como também certamente traria um sentido de união pelos mesmos objetivos.

As derrotas repetidas, e já de longa data do nosso tricolor, são culpa de todos. E disso tenho convicção e certeza. Desde o mais alto dirigente até o sócio, ou mesmo aquele torcedor que contribui apenas com seu grito, todos tem sua parcela. Então como acabar com este ciclo vicioso de derrotas? Qual a solução?

No médio prazo, precisamos efetivamente modernizar e buscar excelência na gestão do clube. Profissionalização com qualidade e continuidade. Com planejamento e metas. Com avaliações objetivas e pragmáticas, não impregnadas por ranços políticos que produzem trocas baseadas em simpatias e mágoas. E isso urge! Trata-se de condição para qualquer empresa ser administrada com competência, colhendo os frutos em um prazo razoável.

E no curto prazo, tratando do tema futebol, é hora de pensarmos com a razão e não com a emoção – obrigação de dirigentes e conselheiros, e não de torcedores.

Na minha opinião, é inegável que temos um time. Com suas carências e falhas, verdade. Mas muito melhor do que vínhamos conseguindo montar em outras temporadas, incluindo a do ano passado. Tanto que nossa frustração pela eliminação na Libertadores parece doer mais – tínhamos esperança. Inegável também que depois de muitos anos, estamos revelando em quantidade e qualidade vários garotos. Assim como contratando sem maiores gastos jogadores que não só trarão resultados de campo – assim esperamos – como ajudarão na saúde financeira do clube com a comercialização futura dos seus direitos.

Tudo certo? Não, claro que não. Temos carências que precisam ser enfrentadas. Mas não se pode negar que temos um time e um grupo bem razoáveis. Suficiente? Talvez ainda não. Mas certamente um início, que precisa dar continuidade e aprimorar.

Temos um treinador que com certeza tem seus defeitos. Mas montou uma equipe, possuiu coragem, faz ajustes, e por tudo o que se escuta, trabalha muito e tem a confiança do grupo. Ou seja, acerta a diretoria, se este é realmente o cenário sobre seu trabalho – são estas as informações que temos – quando dá continuidade ao projeto.

Dar ‘uma satisfação’ a torcida é sempre mais fácil. É como se livrar da responsabilidade e dizer “vejam, estou agindo”. Como se tudo fosse simples assim. Faz muitos anos, temporadas e campeonatos perdidos, que a ‘solução’ é está de ‘mandar embora’ jogadores e profissionais. Depois nos surpreendemos com eles ganhando títulos nos clubes para onde vão.

Para revertermos este mau ciclo de derrotas, de muitos anos, precisamos ser pragmáticos e não emocionais. Mantém-se o que está no caminho certo e corrige-se o que está errado. Com coragem e discurso duro. Com assimilação de críticas e poder de reação.

Do contrário, seguiremos “brincando” de ser dirigentes e Conselheiros. Sem bússola para indicar onde queremos chegar.

O cenário político precisa cumprir seu papel, também. É hora da crítica e da cobrança. Da palavra sincera e construtiva. De ouvir a crítica e refletir sobre ela. E não de aproveitar o momento para pensar nas eleições. O Grêmio precisa estar efetivamente acima de anseios de grupos e pessoas.

Todos por um mesmo objetivo e dispostos a ajudar, com a crítica dura que seja. Mas com o coração e a consciência focados nas vitórias. Elas virão, se trabalharmos juntos para isso.

É a minha opinião.

Vamos Grêmio!

Juliano Ferrer
Conselheiro do Grêmio e Integrante do Grupo Grêmio Imortal

1 comentário para “PARA QUEBRAR UM CICLO VICIOSO”

  1. Sergio Amarildo disse:

    Juliano, quero corroborar contigo e dizer que o Grêmio deve superar essa fase de time perdedor. Temos que voltar a ser vencedores e temidos como fomos, mas para isso o profissionalismo é importante e fundamental. Porém, não é tudo. É necessário também que tenhamos jogadores engajados, que joguem por mais do que dinheiro, jogadores com o mínimo de qualidade técnica. Enfim, precisamos de dirigentes sérios como são os atuais. E precisamos de continuidade de dirigentes que não entreguem a alma ao diabo como fizeram alguns. Agora há esse imbróglio da Arena. E ouvir os sócios e torcedores, serem transparentes e administrarem com seriedade os recursos do Grêmio é o mínimo que nos tempos modernos deve ocorrer no Conselho e direção.
    Gremista sempre!

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