OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE?

“A antiga lei do olho por olho acaba por deixar todo mundo cego.” “O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor.”
As frases de Martin Luther King Júnior podem ser taxadas de piegas; fora de moda em um caldo político; não compatíveis com o aguerrido meio do futebol; ou mesmo podem ser consideradas absolutamente utópicas.

Mas, também podem as frases ganhar espaço verdadeiro em muitos gremistas, para que o princípio associativo, que deve reger a política de um clube de futebol, seja realmente aplicado.

Não se trata de criar o ‘buraco do amor’. Seguir o que pregava o líder negro não representa abdicar das controvérsias e colocar “panos quentes” nos assuntos relevantes para a instituição. Não. A ideia é perseguir a linha positiva, adulta e racional da divergência. Ou mesmo a do conflito na divergência, com objetivos comuns, tolerância e, principalmente, compromisso com o bem do clube.

Ultrapassamos um processo eleitoral no ano de 2013, sem grandes embates. Muitos discursos foram reverberados no sentido de sermos capazes de trabalhar todos juntos pelo mesmo resultado, ainda que muitas das vezes para isso seja imprescindível discutir, discordar, convencer, conciliar, negociar e ceder. Ganhamos votos de um associado que clama por isso. Mas o discurso ainda está muito longe de ser colocado em prática. Muitos se esforçam, é verdade. Porém outros tantos atores da política do nosso Grêmio seguem estabelecendo as suas verdades inequívocos e imutáveis, contra outras da mesma forma, em um turbilhão tão farto de argumentos e de exercício de retórica teatral, que no final das contas nem se sabe bem qual é mesmo a divergência ou o por quê da discussão.

Que atire a primeira pedra quem nunca pecou.

Não há paladinos da conduta política perfeita. Sequer este escrito tem o objetivo de dizer que estes ou aqueles estão agindo bem contra aqueles outros, que por suas vezes estão agindo mal. Basta!

Não é necessário ter amor entre nós. Mas é essencial, de uma vez por todas, militar na divergência sem raiva e personalismo. Racionalmente e de forma madura. Buscando o melhor caminho para que a nossa paixão pelo Grémio – esta sim, irracional, eterna, atávica, insuportável, infantil, incomensurável e perturbadora – seja festejada com conquistas.
Seremos inteligentes e capazes disso? Temos que definitivamente agir para tal.

Temos ou não temos objetivos comuns? Com certeza temos.

Está em nossas mãos, Conselheiros, Dirigentes, Associados e Torcedores do nosso Grêmio. E não só no discurso.

É a minha opinião.

Juliano Ferrer
Conselheiro do Grêmio e Ex Presidente do Grupo Grêmio Imortal

2 comentários para “OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE?”

  1. Paulo Ferrer disse:

    Parabéns pela percepção Juliano. O Grupo Grêmio Imortal insiste sempre nesta conduta pró-ativa, construriva.De tanto falarmos nisto, a idéia vem, cada vez mais, impregnando nossa conduta. E olhem que não somos babacas, “marias vão com as outras”, “vaquinhas de presépios”. Temos idéias e posições, mas exercitamos a tolerância, capacidade de diálogo e, principalmente, o amor pelo Grêmio.

  2. Rafael Brunatto disse:

    Juliano, acredito que há muito blá-blá e pouca ação, temos que reorganizar o Clube, trazer novas lideranças, aposentar os velhos Caciques e levar o sangue novo, principalmente, o da nossa Geração, a qual foi vencedora nos anos 80 e 90..Sabe o que é ser Vencedor!!
    Temo que, ao chegar no poder, essa nova liderança não saiba aproveitar do poder…e torne a voltar o ciclo vicioso dos que chegam no Poder e tornem-se prepotentes.
    Infelizmente o Ser Humano é extremamente vaidoso e isso o que atrapalha na Política interna do Clube, sejamos humildes…
    Sds.

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