RENATO ERROU – Grêmio VS Vasco

Não vou falar do jogo. Nem da vitória importantíssima. Nem de Rodholfo, que está se relevando o xerife da zaga com que sonhávamos há anos. Nem dos acertos de Renato, entre os quais está a vinda de Rodholfo. Nem da necessidade de apoiarmos o time nessa reta final para termos um 2014 mais emocionante. Nem dos reforços que precisamos para ter um time mais competitivo. Tudo isso é importante, mas vou falar do futuro de Renato como treinador do Grêmio.
Renato cometeu seu primeiro grande erro na entrevista depois do jogo. Ninguém vai tirar dele o estilo irônico, a confiança extremada em seu próprio trabalho, a sua cara de galã quarentão, estilo Grecin 2000. Renato Portaluppi é o Richard Gere de Bento Gonçalves, o pai paradoxal da Carol, o sogrão dos sonhos, o consumidor que passou a fornecedor. Ele tem história e personalidade. Sem isso não se ganha nada. Sem isso nem dá pra competir. Ele tem humor, que varia de acordo com o resultado. Ele é humano. Ele não fez media-training. Ainda bem.
Mas Renato errou. Copio o que acabo de ler na imprensa, retirado da entrevista pós-jogo com o Vasco: “Essa meia dúzia, eu peço que eles venham no domingo para apoiar. Eles têm o direito de vaiar, aplaudir. Mas, quando vamos no outro estado, sofremos com a torcida adversária. O torcedor tem que nos apoiar. Aliás, quando se fala em torcedor, é o da Geral. Esse é o torcedor. Na dificuldade, o torcedor tem que estar do nosso lado também.”
Quando se fala em torcedor do Grêmio, caro Renato, fala-se do torcedor sentado em qualquer lugar do estádio. Fala-se do torcedor solitário, do que vem com a família inteira, do organizado, do desorganizado, do sócio, do não sócio, do rico, do pobre, do que sabe muito de futebol, do que não sabe nada, do fazedor de frases, do analfabeto, do que aplaude e também do que vaia. Todo mundo num estádio de futebol tem direito de xingar o juiz, o técnico, o jogador, o bandeirinha, o presidente. Eu já xinguei uma família de quero-queros do Estádio Olímpico. Um bando de chatos suicidas. Eles que vão fazer seus ninhos noutro lugar! Fora quero-queros!
Renato deveria fazer o mesmo que fez naquele episódio da declaração infeliz para o Jorge Cajuru: reconhecer o erro e pedir perdão. Renato está fazendo um bom trabalho no Grêmio, tirando o máximo do grupo que tem nas mãos. Ele pode se tornar um treinador histórico no Grêmio, pois é inteligente e tem convicções. Mas não pode dizer que a torcida do Grêmio é a Geral. Que, aliás, quando não está brigando com ela mesma faz uma festa sensacional e empolga todo o estádio.
Quando Renato fez história no Grêmio não existia nenhuma Geral. Pode ter certeza, Renato, nas derrotas e nas vitórias a torcida do Grêmio será o que sempre foi: uma apaixonada. E, como deves saber muito bem, a paixão tem suas próprias leis, e essas leis passam longe da racionalidade. A torcida do Grêmio é infinitamente maior que a Geral, e quem não reconhece esse fato não pode ser treinador do Grêmio.

Carlos Gerbase
Conselheiro do Grêmio e Vice-Presidente do Grupo Grêmio Imortal

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