UM ESTÁDIO VERMELHO DE INVEJA…

Em primeiríssimo lugar, a respeito do Gre-Nal 398, é preciso que eu dê um depoimento pessoal, de torcedor. Estive no Centenário e é preciso dizer que há muito tempo eu não entrava em um estádio, em um jogo importante, com tanta tranquilidade! Acesso fácil, estacionamento perto, entrada tranquila, dia de sol maravilhoso, um bom espaço reservado à nossa torcida e nenhuma beligerância nas ruas, fizeram do clássico em Caxias do Sul o que sempre deveria ser: apenas um jogo de futebol. Mesmo sendo um Gre-Nal.

Aliás, o Gre-Nal 398 foi um grande jogo de futebol! Bem jogado, com alternância de predominância (com o perdão da rima), uma excelente arbitragem e gols, vários gols – o de Vargas muito bonito – como convém ao bom futebol.

E eu, que em alguns momentos critiquei o posicionamento defensivista de nosso time e que em outros fico clamando pela entrada de Zé Roberto, preciso admitir, mais uma vez, que a equipe de Renato é, sim, uma das melhores do Campeonato. E que a cada rodada faz por merecer a posição de destaque que hoje ocupa na tabela. Uma equipe que sabe o que faz, consistente, que ocupa espaços, que marca e corre o tempo todo e que agora, com a entrada do Vargas, tem novamente na velocidade uma de suas armas de ataque. Aliás, não me incluam entre aqueles que contesta a presença do Barcos. Para mim ele tem papel fundamental no esquema de Renato. Corre o tempo todo, faz parede, sofre faltas, incomoda a zaga adversária sem parar e ainda – mesmo que isso muitas vezes não seja notado – é o anjo da guarda da defesa, postado no primeiro pau, quando de escanteios e faltas batidas pelo adversário. E, digam, que outro time pode se orgullhar de ter um ataque com Vargas, Kleber e Barcos?

Na verdade, estamos jogando muito bem. O campeonato é difícil e os resultados mostram que estamos no caminho certo. Perdemos para o Criciúma, mas tínhamos meio time de desfalques. Empatamos com o Fluminense num lance fortuito de Sobis no final do jogo. E agora no Gre-Nal tivemos ótimas chances de gol que poderiam ter decidido o jogo. Lembro de pelo menos duas cabeçadas de Souza e de um belíssimo chute, colocado, de Kleber que Muriel defendeu magistralmente. Enfim, penso que só não ganhamos o jogo porque estivemos preocupados em proteger os garotos Simon e Bressan diante de um ataque que tinha Damião, Forlan, Dalessandro e quem mais viesse.

Voltei feliz de Caxias. Pelo dia de sol e céu azul, pelo galeto no meio dia, por ter visto um excelente jogo de futebol e por ter tido, mais uma vez, o privilégio de assistir a partida em pé. Sim, porque no  meio da Geral ninguém senta e ninguém fica quieto. E o resto do estádio inteiro ouve, vermelho de inveja.

É como eu sempre digo: Como é bom ser gremista!

Fernando di Primio

Conselheiro do Grêmio e Ex-Presidente do Grêmio Imortal

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