QUAL O MELHOR SISTEMA? QUAL A MELHOR ESTRATÉGIA?

As respostas para as perguntas que dão título para este escrito são, talvez, infindáveis. O futebol está muito longe de ter sentenças exatas e definições correlatas a lógica de outros esportes.

Fato é que o Grêmio de Renato tem um perfil, uma forma de jogar. E não é exagero dizer que contraria o que nos últimos tempos se usou dizer seja a “receita do sucesso e das vitórias”. Especialmente após o êxito da seleção espanhola e do badalado Barcelona, posse de bola passou a ser o objeto de desejo de todos. Medição e análise desse elemento entrou definitivamente na pauta de todos, ocupando espaço inclusive nos “shows do intervalo”. O Grêmio não joga com a bola. E mesmo assim ganha, estando em segundo no Brasileiro. Como, então?

No nosso time, a bola vinda direto da defesa ganha força com a “recuperação” da “segunda”, o rebote, na intermediária do adversário. E então vem a tentativa de chegar ao gol. Na maior parte das vezes não dá certo, eis que evidente a facilidade que os defensores tem em marcar este tipo de jogada. É sempre mais fácil destruir do que construir. O jogo fica feio. Nervoso. Porém tem sido eficiente.

O time se acostumou a sofrer se defendendo sem a bola, onde os três centro campistas – Souza, Ramiro e Riveros – se desdobram em seis, com voluntariedade e muito vigor físico. Compensando a eventual falta de estupenda virtude técnica com fôlego e denodo para entrar na área do adversário e estar na nossa, em segundos, defendendo. O limitado Pará é outro dedicadíssimo nas funções múltiplas, e o Alex, quando tem espaço, chega na linha de fundo. Na zaga, Rodholfo tem sido excepcional. E o Dida espero que jogue até os 45 anos, tamanha a qualidade e a importância também tática que vem exercendo.

Kleber, Barcos e Vargas (este, para mim, diferenciado tecnicamente) vencendo a lógica que citei antes, conseguem com suas características lutar e fazer jogadas na frente. Que se em números não são tão constantes, vêm redundando em gols e vitórias.

Contra o Atlético do Paraná, time bem montado e veloz, nosso primeiro tempo foi muito bom. Criamos situações e tivemos o controle, mesmo que acossados por ataques velozes do adversário. O segundo tempo foi mais sofrido, talvez pela tendência que a vantagem do placar nos trouxe, de termos ainda mais cautela. Sofremos. Quase tomamos o gol, mas dava para confiar no time.

Dai o Renato fez algo que, confesso, não consegui entender. Tirou um dos três centrais, e colocou um zagueiro, mantendo os três atacantes. Perdemos totalmente o controle do jogo, que igualmente aumentou em violência – também característica deste time do Paraná. O jogo ficou muito nervoso.

Algo deve estar ocorrendo, que a gente não sabe e nem quero saber, para não ter entrado Zé Roberto e segurar a bola, de forma cadenciada, como é sua característica. Ou mesmo o Elano, jogador de qualidade e capacidade na definição de jogadas. Este jogares precisam ser usados quando pontualmente necessários, salvo se estão com problemas. Não são mais meus titulares, por motivos que merecem um artigo próprio. Mas podem e certamente são muito úteis em momentos da partida.

Vamos buscar o Cruzeiro? Quero muito e não vou desistir, mas não sei. Fato é que este Grêmio do Renato, com esquema “a”, “b”, “c” ou “d”, desafiando as modernas teses, prova que a tenacidade e a ambição nos distanciam dos demais, que nos miram, como disse o treinador, de binóculos.

Vamos Grêmio!

Juliano Ferrer

Conselheiro eleito do Grêmio e ex presidente do Grupo Grêmio Imortal

Comente