O GATO E COBRA

A partida contra o São Paulo no Morumbi demonstrou que tivemos mais sorte que juízo. Prova disso, é que nosso goleiro foi o melhor em campo.
O sistema tático com três volantes, quatro defensores e sem um meia de ligação, deixou Barcos e Kleber um tanto quanto isolados, comprometendo a posse de bola no ataque e a própria criatividade ofensiva.
Se é verdade que Barcos não vem jogando o fino da bola, também é verdade que a bola nele não está chegando redonda, obrigando-o a vir buscar jogo no meio campo e assim fazendo ainda mais falta no ataque.
A defesa, embora combativa nos desarmes, acaba por usar de chutões ao campo ofensivo, o que sabemos na maioria das vezes traduzem-se em devolver a bola ao adversário, que volta a atacar, dando mais trabalho para o setor defensivo e, neste último jogo, principalmente para o nosso arqueiro, que provou porque é titular (ainda que tenhamos um ótimo goleiro na reserva).
Dida ontem parecia um gato. E um gato com muitas vidas. O São Paulo teve excelentes oportunidades que quando não esbarravam nas mãos, eram esterilizadas com os pés do goleiro tricolor.
Por falar em animais, o São Paulo também parecia o gato, mas aquele gato que tenta atacar a cobra: o gato mia, chega perto, fica horas tentando com suas patas arranhar a cobra e ela ali, parada, só olhando e esperando para, de repente, dar o bote fatal!
Sei que futebol é bola na rede. Mas não esqueçamos que a sorte também nos acompanhou, pois tivemos apenas uma única oportunidade (felizmente convertida), o que é muito pouco para um time que almeja algo melhor na competição.
Ainda assim, no duelo entre o gato e a cobra, prefiro ser a cobra.

Gilberto Cerqueira Jr

Conselheiro do Grêmio e Ex Presidente do Grupo Grêmio Imortal

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