O DIRIGENTE E AS INJUSTIÇAS

Muito mais do que dirigente de Clube, sou filho de dirigente e pai de dirigentes.

Meu pai, Valentim Ferrer, trabalhou voluntariamente no Guarany de Bagé desde os 21 anos de idade, até morrer aos 78 anos. Lá falta gente sempre e quem quer encontra espaço. Ele amava o Guarany.

Na vida íntima do Grêmio, meu filho mais velho Juliano entrou primeiro. Eu e o Diego, mais moço, o seguimos.

Esta vivência nos bastidores, que começou lá por meus 4 anos de idade, fez-me acreditar neste modelo de Clube e nos seus condutores.

O modelo deu ao Futebol Brasileiro quatro Copas do Mundo. Tal modelo nasceu, cresceu e se mantém pela mão de seus Dirigentes.

Todos sabem que não se faz futebol sem atletas e funcionários. Mas está muito distante da realidade quem acredita que estes não precisam ser dirigidos.

No modelo brasileiro, baseado nos Clubes, a profissionalização é crescente. Imagino que a primeira profissional do Grêmio, lá em 1903, tenha sido a lavadeira que cuidou do fardamento após a primeira partida dos atletas/dirigentes que o fundaram. Hoje são profissionais os atletas, massagistas, médicos, roupeiros, contadores, marqueteiros, gerentes de futebol, assessores de imprensa, porteiros, planejadores e tantos outros.

Todos eles, no entanto, não prescindem dos dirigentes voluntários, que carregam consigo a magia da paixão e da doação pelo Clube. Sem eles tais Clubes se tornariam Empresas, frias e sem apelo popular, como as que foram criadas visando lucro na formação e venda de atletas.

Mais do que ser dirigente, acredito e respeito o seu papel. Não gosto de vê-los criticados de forma generalizada, quando os rotulam de interesseiros, desonestos, cartolas. Lembro sempre das inúmeras horas dedicadas aos Clubes, horas tiradas do seu próprio trabalho, da sua família, do seu descanso.

Pois foi a falta de respeito aos longos anos de dedicação ao Grêmio que atingiu o nosso companheiro Evandro Krebs. Barrado na constituição da Chapa que deveria acolhê-lo, teve sua história no Clube desrespeitada.

Quem conhece o seu trabalho no Grêmio, com os inúmeros acertos que teve e os poucos erros, sabe que quem perdeu foi o Conselho Deliberativo, foi o Clube.

O que espero é que o Evandro consiga superar tamanha injustiça, continuando sua luta em outras trincheiras do nosso Grêmio, e que um dia a mesma possa ser reparada. Na eleição de amanhã os associados não poderão fazer tal reparação, infelizmente.

Foi um desrespeito a todos os dirigentes.

Paulo Ferrer

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