MUITO A COMEMORAR, MUITO A MELHORAR

A previsão para o jogo contra o time do Bahia não era das melhores. Não bastassem as ausências de Zé Roberto, Kleber e Vargas (o primeiro por lesão e os demais por suspensão), pela quarta vez em oito jogos o Grêmio mudava o esquema tático, desta feita para o 3-6-1.

Aqueles que conhecem o futebol dentro das quatro linhas – o que não é o meu caso, pois como jogador sempre fui um bom torcedor, que “torcia” para a bola ficar longe de mim – sabem que essa constante alteração de esquema, somada a modificação da escalação, deixa os jogadores intranquilos, sem confiança. Isso porque além de terem de desempenhar funções táticas diferentes, com diferentes companheiros, muitos deles vêem aquela como única ou principal oportunidade de mostrar ao treinador o seu potencial dentro do Grupo. E aí, com exceção daqueles mais experientes, a confiança se deixa tomar pelo nervosismo, pelo medo de errar.

Isso é visível em alguns (ou vários) momentos dos jogos do Grêmio, quando por exemplo ninguém aparece para receber uma simples cobrança de lateral; o jogador prefere o passe lateral à jogada de finalização; fundamentos básicos são esquecidos; enfim, vê-se mais transpiração do que inspiração.

Nessa toada começamos o primeiro tempo, onde sofremos alguma pressão do time adversário que teve poucas oportunidades e (felizmente) não as aproveitou. Acabamos por ajudar o adversário, através do excesso de passes errados, da afobação nas tentativas de “ligação direta” com o ataque de um homem só e da aparente intranquilidade dos nossos jogadores. Àquelas alturas, víamos um Grêmio previsível, submisso à marcação e, principalmente, sem articulação no meio-campo, mostrando um Barcos mais uma vez com atuação fraca e um Alex Teles jogando isolado, como outros. Por sorte, saímos “ilesos” nos primeiros 45 minutos.

Iniciado o segundo tempo, o time não mostrou evolução. Os erros de passe principalmente na saída de bola se repetiam, ainda que se observasse a aplicação tática dos jogadores.

Eis que numa bola levantada, Elano, dentro da grande área (eu disse Elano, não Barcos), acerta uma cabeçada no travessão e a bola volta à altura da marca penal quando Riveros, literamente com a cara e a coragem, mergulha em direção à bola e às chuteiras dos adversários e consegue cabecear em direção ao gol. Gol que ele certamente não viu, pois caiu quase desacordado no gramado antes das redes balançarem.

A intranquilidade então passou ao adversário, cujo zagueiro – que é nosso conhecido – colaborou ao agredir Elano, sendo expulso.

As entradas de Guilherme Biteco, Maxi Rodrigues e ao final de Matheus Biteco, possibilitaram ao time maior posse de bola no setor ofensivo, o que inclusive redundou em mais dois gols, o segundo num lance “genial” de Maxi Rodrigues (sim, pois ele “mirou” o braço do zagueiro para propositalmente dar um “efeito” na bola para ela bater no poste e enganar o goleiro…).

Ora, por favor, não podemos nos iludir.

O time baiano, principalmente após o segundo gol do Grêmio, já estava batido.

O Grêmio vinha jogando tão mal quanto já o fizera em outros jogos, quando “achou” o primeiro gol e logo depois, com a vantagem numérica em campo e no placar, passou a dominar a partida, inclusive alcançando dois outros tentos. Destaque para o gol de Guilherme Biteco, que teve personalidade para chutar à meta ao invés de passar ao centroavante Barcos – quem eu duvido conseguiria algo melhor naquele lance – opção que fez certamente porque àquelas alturas, a tranqüilidade estava novamente instalada sobre os jogadores tricolores.

Ganhar é bom, sempre é bom. Mas temos que saber por que ganhamos, para não repetir os erros que nos levaram a derrotas. O placar do jogo foi enganoso, merecendo exaltação os três pontos conquistados, a melhora no saldo de gols e a libertação do peso da primeira vitória fora dos nossos domínios. Apenas isso. A atuação como um todo revela que ainda há muito, mas muito a ser aprimorado.

Gilberto J. Cerqueira Júnior
Conselheiro do Grêmio
Ex-presidente do Grupo Grêmio Imortal

1 comentário para “MUITO A COMEMORAR, MUITO A MELHORAR”

  1. Carlos Englert disse:

    Gilberto, concordo com a tua interpretação da atuação do nosso Grêmio. Nós não temos nenhuma jogada, é só balão pra frente e salve-se quem puder.

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