ODONTOLOGIA DESPORTIVA – INSERÇÃO NO FUTEBOL JÁ

Quando uma parte do nosso organismo não vai bem isso se reflete de alguma forma, provavelmente com sintomatologia dolorosa. Essa é uma experiência sensitiva desagradável para qualquer pessoa. Quando nos deparamos com um desequilíbrio bucal, a resposta dos tecidos orais é através da dor, afetando o nosso rendimento habitual e diminuindo a qualidade de vida.

O cuidado com a saúde bucal está intimamente relacionado com a saúde geral. Estudos indicam os benefícios de uma adequada saúde bucal e sua relação com a saúde sistêmica do indivíduo. A Odontologia Desportiva visa prevenir e/ou tratar doenças já instaladas, bem como melhorar o rendimento dos atletas e promover saúde bucal.

O atleta necessita estar sempre atento à sua saúde e a saúde da boca não pode ficar fora deste contexto. O rendimento de um atleta pode ser reduzido se ele tiver algum distúrbio na sua saúde oral. Seu rendimento está intimamente relacionado com a vitória ou a derrota. Deste modo, visando uma melhoria no desempenho do atleta, faz-se necessário um exame odontológico minucioso.

Engana-se quem pensa que a Odontologia Desportiva se restringe ao estudo e indicação de protetores bucais. Saiba que um atleta que respira pela boca apresenta rendimento físico 21% menor, se comparado ao que respira pelo nariz. Já um canal aberto representa uma queda de 17% no condicionamento.

Assim como o jogador, grande parte da população brasileira não leva a sério os cuidados com a boca. Mal sabem que uma cárie esquecida ou uma gengiva sangrante podem causar problemas consideráveis no corpo humano, levando a uma infecção e até à perda de um ou mais dentes, diminuindo assim, consideravelmente a resistência do organismo.

Muitas pessoas tratam a odontologia como se fosse cosmética e não como medicina. Elas vão a um dentista como vão a um cabeleireiro e manicure, por exemplo. O problema é que o cabelo só influi na estética, diferentemente de um dente, que pode levar até a morte. A cavidade bucal é uma engrenagem e se você perde um dente ela não vai funcionar direito. Isso gera problemas de Articulação Temporomandibular (ATM), causando dificuldades de visão, dores de cabeça e nas costas.

Uma infecção oral pode acabar com a carreira de um atleta, provocando falta de fôlego e distensões. O rendimento do atleta pode diminuir em até 21% devido a causas relacionadas aos dentes, entre elas a má-oclusão, que provoca problemas de mastigação e dificulta o aproveitamento da energia proveniente de sua alimentação, e focos de infecção, que causam danos à mastigação e à respiração. Assim, o esforço extra que o atleta deverá dispor para respirar será compensado pela boca e isso irá comprometer seu desempenho de uma maneira geral.

O cirurgião-dentista deve trabalhar em conjunto com a Medicina Esportiva, Fisioterapia, Fisiologia, Educação Física, Nutrição, Bioquímica, Fonoaudiologia, Psicologia Esportiva e outras áreas ligadas ao esporte. Pode-se questionar a importância do profissional dentista nessa equipe multidisciplinar, mas o seu trabalho se aplica a diversas situações.

Um atleta que não apresenta bons cuidados bucais, por conseguinte não possui uma boa saúde bucal, o que levará a um elevado número de bactérias na boca. A microbiota presente na cavidade bucal não se restringe apenas a esta área, sendo consequentemente presente na corrente sanguínea, fenômeno chamado de bacteremia. Caso um jogador sofra uma lesão muscular, por exemplo, e apresente bacteremia proveniente de maus cuidados bucais, a reparação desta lesão será muito mais lenta. Este exemplo demonstra a importância da inter-relação do cirurgião dentista com o jogador. A bacteremia pode levar a outros problemas como a endocardite bacteriana, doença que causa a inflamação das válvulas do coração.

Outra situação que implica um tratamento do jogador com o cirurgião-dentista é a Síndrome do Respirador Bucal, esta síndrome não tratada na maioria dos atletas prejudicaria em muito o rendimento em campo.

Hoje falamos em um clube modernizado, com padrão europeu, arenas multiusos, shoppings, departamentos contemporâneos e com equipes multidisciplinares tratando dos atletas. Espanta-me não falarmos de odontologia no futebol. A equipe deve trabalhar em conjunto, com comunicações entre si e com a figura do cirurgião dentista. Precisamos de um departamento individualizado e particular odontológico para cuidar de nossos atletas desde a categoria de base aos profissionais.

Werneldo Horbe

1 comentário para “ODONTOLOGIA DESPORTIVA – INSERÇÃO NO FUTEBOL JÁ”

  1. Paulo Ferrer disse:

    Ótima sugestão Werneldo. Os grandes Clubes têm que estar atentos às evoluções da ciência. Agora, por favor, leva o Barcos para o teu consultório e faz-lhe um exame minucioso. Quem sabe está na boca o problema, pois o homem parece uma múmia.

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