O GÊNIO SEM A LÂMPADA MÁGICA

Para escrever sobre Grêmio e Coritiba, com derrota tricolor na Arena, me falta talento. Queria mesmo era ser genial e poder contar uma fábula, distraindo a mim e a todos. Um lindo conto com dilemas éticos. Um suspense que tirasse suspiros de susto das leitoras mais atentas. Ou ser capaz de apagar a lâmpada e dormir, para esquecer o que vi.

Se eu fosse genial, escreveria uma coluna com profundo silêncio. Ou conseguiria ilustrar a vaia em cena aberta escutada no Estádio. Narraria com maestria as saídas de bola equivocadas de Pará, Adriano e Souza. A omissão constante de Elano. Descreveria a avenida Alex, por onde desfilou Geraldo – o Angolano, e Ferraz – o Brasileiro. Lembraria ao leitor do nervosismo de Bressan, tentando fazer jogada no meio. Dos repetidos e equivocados recuos de bola, um deles de Riveros, que facilitou o gol do Coxa. Para não ser injusto, diria que Rhodolfo tentou avisar que o Deivid faria o gol sem marcação. Apenas esqueceu que ele era o zagueiro que estava na área. Seria capaz de grifar com requinte de crueldade a atuação do Gladiador, excelente na luta de solo e nas entrevistas. Lamentaria com emocionadas palavras a aparente falta de saúde do Barcos. Maxi Rodrigues e Paulinho seriam figurantes na minha narrativa. Nem vilões, nem heróis. Da mesma forma que o menino Lucas Coelho.

Não sou gênio. Nem o Renato, como técnico. Depois de sete rodadas, pensei que a luz no final do túnel apareceria. Só o que consegui ver, esta noite, foi a lâmpada do alerta. Há muita coisa errada a ser arrumada até que se possa seguir caminho. E não creio nos esquemas geniais, quando sequer o simples estamos fazendo.

Obrigado, Dida, por evitar que fosse 2 x 0. Obrigado, Presidente, pela entrevista sincera e verdadeira. Obrigado, Cris, por ter aceitado a proposta do Vasco.

E quando nada mais se consegue dizer ou muito menos explicar, nos resta esfregar a lâmpada mágica e suplicar ao gênio, sem titubear, um único pedido: eu quero o meu Grêmio de volta!

Juliano Ferrer
Ex-Presidente e Sócio do Grupo Grêmio Imortal

4 comentários para “O GÊNIO SEM A LÂMPADA MÁGICA”

  1. Guilherme Schulze disse:

    Juliano, meu amigo…

    O jogo de ontem foi uma das coisas mais pavorosas que eu pude ver na minha relação com o Grêmio e seus estádios. Tenho um tempinho de campo – algo entre 18 e 20 anos – e assisti muita coisa ruim, mas a partida desta quarta-feira na Arena foi pavorosa. Pavorosa não só pela atuação do time, mas sim pela atuação de um elenco no entorno do qual se criou uma expectativa absurda de que iria jogar por música. É a pior atuação de um dos ‘melhores’ Grêmios montados nos últimos anos.

    Para não me alongar… pior que a partida é a apatia das nossas lideranças. Apatia técnica e de postura. Ninguém chama o jogo pra si e tenta decidi-lo e ninguém assume em campo uma postura de ‘líder motivacional’… Todos permitem que o jogo aconteça para lamentar no final. Em cima desta apatia, cabe a observação de André Flores ao me mostrar as estatísticas do elenco do Grêmio no Guia da Partida. Nosso jogador com mais partidas com a camisa Tricolor é O Grohe (goleiro que é reserva há uma vida). Assim, não tem como ter um time identificado com o nosso Grêmio.

  2. Carlos Gerbase disse:

    Juliano, não faltou talento pro teu texto. Até sobrou. Disse tudo e mais um pouco. Assisti ao jogo ao lado de minha filha mais fanática, que me perguntava desde o início “o que é isso?”. E eu, otimista, dizia que o time iria melhorar no segundo tempo. Ainda passei por mentiroso. Ou ingênuo. O projeto Luxemburgo foi um equívoco imenso, os jogadores quem ele trouxe são, em sua maioria, grandes decepções. O Renato não é gênio, mas vai precisar ser genial nas próximas semanas.

  3. Paulo Ferrer disse:

    Excelente texto Juliano, pena que não pode conter elogios. Temos que buscar respostas na subjetividade e uma delas talvez se encontre no número de jogadores vindos do Juventude. Bressan, Alex Teles e Paulinho, ontem, Ramiro em outros jogos, são muitos de uma fonte de pouca expressão, a maioria juniores. Não estou dizendo que são ruins, mas que representam muita renovação, trazida de um único Clube que não está bem.

  4. Marcelo Avila disse:

    O Renato tem que dar continuidade a um projeto que não é dele, e sim do Luxemburgo. Dos jogadores que vieram do Juventude, já houve especulação de compra de dois deles por times do exterior, Bressan e Alex Telles. Não pude ver o jogo, mas entendo, pelos comentários em geral, que foi horrível, o que não me surpreende, já que todos tem esperado atuações de gala desde os tempos do Luxa. E elas não acontecem, com poucas exceções, como contra o Flu. Mas depois de ver o Santos tomar 8 do Barça, entendi que é o futebol brasileiro em geral que está em decadência. Passamos a ser times de fortes ao invés de craques, vale mais a força do que a habilidade. Onde estão os Renatos, Cajús, Alcindos e tantos outros craques do passado? Ninguém mais joga por amor à camisa e sim por amor ao dinheiro. Alex voltou ao Coritiba, levantou o time, e joga por amor, pois é o time que o formou. Grandes técnicos no Brasil? Com esquemas simplórios de jogo? Traz um de fora e vamos reaprender a jogar.

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