O CAVALO ENCILHADO E O RAIO TEIMOSO

Existe um dito popular que é mais ou menos assim: “monte quando passar o cavalo encilhado, já que não sabes quando ele passará outra vez”. Tem outro que diz que “um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”.
Pois bem. O Grêmio e os GREnais têm provado o contrário. Já perdi a conta de quantos confrontos contra o nosso rival terminaram com esse pensamento de que tínhamos a chance de matar e não matamos. Poderia fazer uma lista aqui. Aquele que, com 10 homens, viramos e ganhávamos de 2×1 e no final tomamos um gol do D`alessandro de longe, aos quarenta e tantos, acho que em 2010. Ou o campeonato gaúcho que entregamos pro Falcão, se não me engano, com um gol do Andrézinho machucado! Ou esse foi outro? São muitos! A despedida do Olímpico? O que me dizem? Entregado!
Não é mais um cavalo encilhado, mas uma manada inteira!
Neste domingo, perdemos mais uma vez a chance. Jogamos melhor. Ganhamos o meio de campo e tínhamos boa vibração. “Eles” estavam perdidos. Melhoraram no segundo tempo com a entrada do Fabrício na esquerda, quando perdemos a jogada livre do Pará e o Werley teve mais trabalho, e solucionaram, levemente, o buraco que tinham na ala direita recuando o Jorge Henrique. Mesmo assim, quando trocamos o Elano, cansado, pelo promissor Max Rodrigues, ganhamos mais verticalidade e voltamos a atacar com perigo. E quando o mesmo Jorge Henrique foi expulso…
Era um raio, trocando a Azenha pelo Humaitá, e caindo no mesmo lugar.
Conversava com meu pai na saída do jogo. Parece que o Grêmio, e acho que não só o time mas também a própria torcida, fica mais nervoso quando tem vantagem numérica sobre o rival. Talvez aquele sentimento de “e agora? Temos que ganhar!”. Temos medo do cavalo encilhado. Há muito não montamos. O receio de pegá-lo em movimento e partir no galope nos prende ao chão da beira da estrada. Seguimos a pé. Uma pena. Ele passará de novo?
De qualquer forma, saí do estádio mais tranquilo. Quando perguntado antes da partida o que esperava do confronto, respondia preocupado que o time deles me parecia mais organizado, até me parecia “mais time”. Já o nosso, me parecia um amontoado que me fez sentir vergonha contra o Corinthians alguns dias antes. Mas o tal 3-5-2 facilitou o trabalho dos zagueiros e, a partir de um sistema defensivo mais sólido, os três setores (zaga, meio e ataque) estiveram mais próximos um do outro. Funcionou, pelo menos nessa partida.
Apesar disso, ainda estamos longe de ser uma equipe confiável. Ou alguém teria coragem de arriscar um palpite de como nos sairemos no Brasileirão?

Toco y me voy
- Kléber e Barcos: O primeiro está evoluindo. Domingo fez uma de suas melhores partidas no Grêmio. Não só pela vontade, mas pela qualidade e eficiência. O segundo, ainda está anos luz do que pode ser. Parece estar com reumatismo! Algum problema físico. O ataque do Grêmio ainda está devendo e muito!
- Riveros: Excelente atuação. Incansável na marcação e muito lúcido com a bola.
- Alex Telles: Tenho restrições. Acho um jogador bem médio. Comum. Mas teve boa participação no GREnal e, admito, tem sido eficiente nos cruzamentos. De qualquer maneira, nossas duas laterais mereciam melhores jogadores.
- Dida: Elogiar goleiro é sempre um risco. Mas ainda tem alguém com saudades do Grohe? O véio é muito seguro!

Abraço tricolor
Diego Ferrer
Sócio do Grêmio e do Grupo Grêmio Imortal

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