ESTRELA

A estrela que brilhou foi a do Grêmio. Faltou o sol, é verdade, na primeira tarde de domingo com futebol na Arena. Mas fomos competentes para vencer o então líder, que usa justamente a estrela solitária como símbolo.

Quando falo em competência estou longe de querer dizer que o Grêmio jogou com a qualidade que desejo. Sequer me atrevo a tentar apontar uma jogada concatenada, de triangulação e entrosamento, que tenha percebido no nosso time. Foi de improviso, como vem sendo há muito, porém com vontade de vencer. Com indignação. Com espírito coletivo. O Grêmio tinha uma equipe em campo. Efeito da chegada do Renato.

Vi os jogares do Grêmio falando um com o outro. Pedindo a bola. Deslocando. Reclamando. Dando carrinho e não desistindo. Comemorando as boas jogadas. Futebol sem isso, não brilha. Não vence, por melhor que o time possa ser.

A zaga simplificou. E foi bem. Se às vezes se viu envolvida pelo ataque do adversário, isso foi muito mais por estarem expostos, sem uma melhor mecânica do meio de campo, do que por outro motivo. Sem contar que o Botafogo é uma equipe que tem alguma qualidade e justamente o entrosamento que nos falta. Além de o Seedorf realmente ser um jogador diferenciado.

A marcação no meio poderia ter sido mais ativa. Evitando o toque de bola do adversário. Mas se faltou esta qualidade de posicionamento e naturalidade, sobrou empenho.

A dedicação do Kleber foi importante, assim como a qualidade do Vargas. O Elano faz o Grêmio ser mais vertical e objetivo. O Dida tem repetido grandes atuações. Foi decisivo nas defesas e na excelente reposição de bola.

Souza não foi bem e, ao que parece, está enfrentando dificuldades com seu novo posicionamento. Quando domina a bola de costas para o gol adversário, não tem a mobilidade necessária para girar. E quando se vê dentro da área para finalizar, vê-se nitidamente sem o cacoete.

Isso tudo se conserta com trabalho. Entrosamento e variações de jogadas se ganha com treinamentos, que ao que parece já estamos tendo. A motivação nos fez competentes. Pena os 6 meses de marasmo e o falso brilho da “estrela”.

Juliano Ferrer
Ex-Presidente e Sócio do Grupo Grêmio Imortal

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