PRIMEIRO PASSE, PRIMEIRO PASSO

O primeiro passe longo efetivo de Maxi Rodriguez no Grêmio resultou no primeiro gol de Barcos no Campeonato Nacional. Um primeiro passo razoável. Esse é um bom resumo do jogo contra o Atlético Paranaense, muito ruim tecnicamente. Também foi interessante observar como os jogadores do Grêmio estavam insatisfeitos com o resultado. Eles sabem que, para ser campeão, vão ter que jogar muito mais. Jogar, quem sabe, como jogava o Grêmio de Renato em 1983, uma equipe que combinava uma defesa sólida e um meio-campo rápido, que alimentava um ataque com fome permanente de gol. Mas é melhor parar a comparação por aqui, porque os jogadores são de nível diferente. Tínhamos De León pra sair da defesa com qualidade, tínhamos China pra organizar o time de trás, tínhamos Osvaldo pra tabelar rápido e lançar. E tínhamos Renato em campo, e não na casamata.
O primeiro passo, contudo, foi dado. O Grêmio já teve mais cara de Grêmio. Prefiro um time mais acelerado, que tente pegar o adversário fora do lugar, que um time que fica passando a bola de um lado por outro, com paciência, à procura de um buraco que quase nunca se abre. A posse de bola diminui, mas as chances de gol aumentam. É claro que a bola tem que rolar no chão, que os chutões devem ser evitados (e no segundo tempo isso começou a ser corrigido), mas o Grêmio de Luxemburgo era irritante em sua moleza. A maior virtude do Grêmio de Renato em 2010 era a sua capacidade de articular jogadas em alta velocidade pelos flancos. Vamos ver se isso reaparece. E, se isso acontecer, vamos melhorar.
E uma palavra final sobre Maxi Rodriguez e Barcos. Eles fizeram o que atacantes devem fazer: arriscar. Lembro de uma frase de Renato sobre o cruzamento quase milagroso que fez, a meio metro da bandeirinha de escanteio, para o gol de César na pequena área que decidiu a Libertadores de 1983: “Resolvi botar na área, porque é lá que as coisas acontecem”. Maxi botou na área, de longa distância, Barcos dominou, cortou o zagueiro e chutou no canto. Parece simples, mas não é. O Grêmio de Luxa talvez prendesse a bola para avançar em bloco. Até no xadrez, jogo que é pura estratégia, às vezes se joga com as peças se apoiando mutuamente e avançando devagar, e às vezes uma torre, um bispo ou a dama resolvem a partida explorando um corredor e surpreendendo o adversário.
O empate, para o campeonato, foi ruim. Campeões derrotam times limitados como o Atlético. Mas o empate foi um primeiro passo, a partir de um primeiro passe longo e um primeiro gol do nosso centroavante. E agora é ir com tudo contra o Botafogo. O segundo passo é com o apoio da maior torcida do sul do País, que tem o dever de colocar seu coração e seu sangue azul naquele corpo imenso, mas que ainda é um recém-nascido e merece que todos nós sejamos mães e pais carinhosos.

Carlos Gerbase
Conselheiro do Grêmio
Vice-Presidente do Grupo Grêmio Imortal

1 comentário para “PRIMEIRO PASSE, PRIMEIRO PASSO”

  1. Paulo Ferrer disse:

    Também fiquei com a sensação de que a defesa tentou jogar no 2º tempo. Não tem meio-campo e ataque que resistam a um chutão atrás do outro; a bola volta, pois os adversários estão de frente para ela.
    Concordo também que é preciso alguém que lance, pois o Zé é condutor de bola.
    Tampouco temos jogadas pelos flancos com estes laterais limitados.

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