REUNIÃO HISTÓRICA DO CONSELHO DELIBERATIVO

QUE CAMINHO QUEREMOS ?

Como participante da Comissão de Patrimônio do Conselho Deliberativo, fui relator do parecer da mesma a respeito do CONTRATO ARENA, apresentado em Reunião do Conselho Deliberativo de 6 de dezembro de 2008.

Nele questionamos, infelizmente sem êxito, diversos aspectos, entre os quais os abaixo transcritos em negrito e itálico, seguidos de ligeiros comentários:

PARTICIPAÇÃO NO ENTORNO DA ARENA E NA AZENHA

“Chama especial atenção o fato de que o Grêmio não terá participação nenhuma no entorno da Arena. Tampouco terá participação no que será construído na Azenha. Essa Comissão entende que o Clube deverá receber posses no entorno da Arena, as quais poderão no futuro propiciar expansão e/ou rendas, se geridas corretamente de forma profissional. Entende, ainda, que esta é uma oportunidade imperdível para o Grêmio obter rendas extras a partir dos investimentos que serão realizados na Azenha e em Humaitá, com as quais há muitos anos vem sonhando. Chama atenção o fato de que nem no “shopping”, que será construído no corpo da Arena e que aparece nas maquetes eletrônicas apresentadas, o Grêmio não terá participação.”

Ora, uma das justificativas dadas pelos defensores da parceria, que incluía uma Empresa Portuguesa (TBZ) da área de marketing, era de que nós nunca soubemos fazer dinheiro do entorno do Olímpico e tais parceiros saberiam. Mas como poderíamos fazer dinheiro com a tal parceria se o Contrato não nos dava participação no entorno da ARENA nem nos futuros investimentos na Azenha ?

ADITIVOS + ADITIVOS

“Sempre que o contrato de concessão resulta em bons resultados para a concessionária, a tendência é que ela se interesse e até provoque a sua prorrogação. Para tanto, a mesma se vale muitas vezes de falta de recursos do concedente para a realização de determinados e sonhados investimentos. No Grêmio que, por exemplo, sonha sempre em ter o melhor time do mundo, tais carências são comuns. Não encontramos no Contrato nenhuma cláusula que impeça ou, ao menos, dificulte tal prorrogação e entendemos que a mesma é necessária.”

Fazer o contrato possível, buscar aditivos que o melhorem e prorrogar o prazo, eis uma estratégia de negócios conhecida que está sendo e/ou poderá ser usada no Contrato ARENA. É uma estratégia carente de fundamentos éticos ou morais? Não, claro que não. Querer melhorar o seu negócio é caminho obrigatório de qualquer empreendedor atento e de sucesso. Cabe a nós, no entanto, cuidar dos interesses do Grêmio. Tentamos fazer isto sem sucesso quando da discussão do 2ª Aditivo ao Contrato, o qual foi aprovado pela maioria do Conselho Deliberativo com bases frágeis de comprovação dos acréscimos de custos da Obra. Este 2º Aditivo é válido? As recomendações constantes do Parecer do Conselho Fiscal que foram incorporadas como condicionantes à aprovação do 2º Aditivo foram atendidas ? Este 2º Aditivo não têm vícios de origem ?

UM ESTÁDIO NOSSO COM GESTÃO NOSSA

“13 – O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense sempre teve estádio próprio, construído e gerido com recursos próprios. A formação de uma parceria implica numa perda de autonomia do Clube, pelo longo período de 20 anos, no estádio que é indispensável para a prática do Futebol, seu objetivo altamente preponderante. O Clube passará a conviver com um sócio cujo objetivo principal não é o mesmo seu, e sim a auferição de lucros gerados por qualquer espetáculo. Essa Comissão entende que será mais interessante um modelo de negócio no qual o Grêmio mantenha o Estádio sob sua propriedade e controle.”

“15 – No projeto apresentado pelo Conselho Administrativo, a gestão da Arena ficará a cargo da OAS, através de uma SPE criada para tal fim, na qual o Grêmio terá assento em duas cadeiras de seu Conselho Administrativo…”

“Considerando o disposto nos itens 13, 14 e 15 acima, a sugestão dessa Comissão é de que as posições colocadas no item 15 sejam invertidas, passando a gestão da Arena ao Grêmio. O Clube tem mais de 100 anos de experiência em administração e operação de estádios de futebol, diferentemente da OAS, o que avaliza tal posição e lhe dá maior segurança…. O fato de o Grêmio ficar com 65% dos resultados, também justifica nossa posição.”

O que queríamos e continuo querendo é um Estádio Nosso, no qual todo Gremista se sinta em casa, administrado por nós com base na nossa experiência, gerando resultados que atendam nossos anseios e do nosso Parceiro.

QUE ESTÁDIO RECEBEREMOS DAQUI A 20 ANOS ?

“Durante a fase de operação deverão ser feitas avaliações periódicas das instalações, com base em metodologia adequada e índices de qualidade previamente estabelecidos.”

Por ser engenheiro, reitero que existe metodologia de acompanhamento da qualidade das instalações. É preciso usá-la para que recebamos as mesmas bem conservadas no final previsto para o Contrato de parceria, daqui a 20 anos.

O NEGÓCIO PRECISA DE MUDANÇAS

“Queremos deixar bem claro que não somos contrários a construção da Arena…. Entendemos, no entanto, e transmitimos esta posição ao nosso Conselho Deliberativo, que o Projeto apresentado necessita de mudanças, conforme descrito nos itens anteriores, sem as quais o Clube corre grandes e inaceitáveis riscos.”

A Comissão de Patrimônio previu em 2008 as dificuldades que teríamos a partir da transferência para a ARENA. Lamentavelmente não fomos capazes de convencer o Conselho de Administração e nem a maioria do Conselho de Deliberativo da época. Agora, em 2013, a Gestão presidida pelo Presidente Fábio Koff, não precisou mais de dois meses para enxergar o tamanho do problema que o Grêmio tinha pela frente.

O Presidente teve a coragem de enfrentar tal situação, em nome da Imortalidade do Grêmio. Teve coragem e marcou posição a partir da declaração “A Arena não é Nossa”. Negociou e submeterá amanhã ao Conselho as mudanças contratuais pré-acordadas.

De minha parte, espero que as questões acima descritas estejam entre as contempladas, pois estou convicto de que fazem parte dos interesses do nosso Grêmio.

Aos companheiros do Conselho Deliberativo, desejo que enfrentem o assunto, na reunião histórica de amanhã – 11/06/2013, com a mesma coragem do Presidente e seus Vices de Administração e que o amor pelo Clube, do qual jamais vou duvidar, lhes mostre o caminho mais adequado para o futuro do Grêmio.

Paulo Roberto Faria Ferrer

Conselheiro do Grêmio

Presidente do Grupo Grêmio Imortal

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