A PRIMEIRA RESPOSTA

No dia 8 de abril, perguntei o que poderíamos esperar do Grêmio em 2013. Eu não tinha a resposta mais importante – que títulos iríamos disputar e ganhar -, mas eu já tinha uma suposição: o estilo de jogar estava definido, era a cara do nosso treinador e pouco tinha a ver com o Grêmio copeiro e vitorioso de outras épocas. Se vencêssemos – e todos estávamos torcendo para isso – seria uma conquista revolucionária, baseada na capacidade técnica de alguns jogadores experientes, em final de carreira, e num futebol lento e burocrático. Por mais que Luxemburgo se esforce (e acredito que ele se esforçou muito) em falar do velho espírito lutador e irresignado do Grêmio, ele próprio, Luxemburgo, é um sujeito bem vestido, com o nó da gravata impecável, apreciador de vinhos e especialista em destilar ironias nas entrevistas coletivas. Quem acredita num personagem que fala em “esfregar a bunda no campo” com aqueles ternos tão bacanas e caros?

Hoje, 17 de maio, um mês e dez dias depois, a torcida do Grêmio conhece a primeira resposta: o título mais importante da temporada está perdido. Sempre é chato estar certo quando o time está errado, mas a verdade é que o Grêmio perdeu para um time inexpressivo exibindo exatamente as características que Luxemburgo construiu nesses 15 meses (consultem a tabela do meu texto de abril): futebol lento, quase clássico, dependente de lampejos criativos de jogadores consagrados, como Zé Roberto, Elano e Barcos. Quando estes vão mal, ou são bem marcados, a equipe desmorona. Não há jogadas ensaiadas com a bola em movimento. Não há bom aproveitamento de bola parada. Não há aproximação para tabelas e triangulações. O time deveria ser técnico, mas, na prática, parece que não tem técnico.

O que fazer? Engana-se quem pensa que trocar o técnico resolve o problema de filosofia de jogo. Com os atuais titulares, especialmente (e tragicamente) os dois criadores (Zé Roberto e Elano), dificilmente iremos atacar com velocidade e eficiência. Mas quem entrou ontem? Marco Antônio. Ele não é remédio, é extrema-unção. Quem entrar – se é que alguém vai entrar – terá que armar o time diferente, da defesa até o ataque. Terá que aproveitar o evidente talento de alguns jogadores – Fernando e Souza, por exemplo, os únicos que mantêm uma boa média de atuações e um comovente esforço na briga pela bola – e reinventar outros, à medida do possível. Terá que acelerar o processo de transição da defesa para o ataque, ou Barcos continuará recebendo a bola de costas. Terá que fazer os laterais avançarem com confiança. Terá, antes de qualquer coisa, de fazer um time sem medo de perder.

Esse Grêmio covarde de ontem não é o Grêmio. Nosso capitão ontem era o Barcos, que é bom jogador e fala espanhol, mas chegou ao clube ontem Quando ele saiu, foi substituído pelo André Santos, que, além de novato, não tem o menor carisma para ser um líder. Em outros jogos, foi o Zé Roberto, homem calmo, educado, de fala mansa. Porra! Nossos capitães já foram De León e Adilson! Eles levavam para o campo a voz e a personalidade de treinadores identificados com o clube e com a torcida. Isso não é garantia de vitória, nem de título, mas o que a torcida quer, neste momento, é um time que comece e termine o jogo tentando ganhar e agredindo (no sentido futebolístico) o adversário. Aí, se perder, tudo bem. A gente canta o hino e sai do estádio satisfeito, falando em imortalidade. Ontem, vimos apenas um fantasma. E ele não mete medo em ninguém.

Carlos Gerbase

6 comentários para “A PRIMEIRA RESPOSTA”

  1. cbimbi disse:

    concordo.
    Pará, Werley, Marco Antonio, Elano nada tem de Gremio e sua presença no time anula a subida de um Tinga, Saimon, Biteco(s)
    mas essa valorização de jogadores lentos, descompromissados e veteranos ” que não erram passes ” ( mas não marcam ninguem ) já vem pré-Luxemburgo. Qdo desembarcaram Paulo Autuori em POA prá mim foi um marco negativo. acumulam-se Douglas, Rochembach, Tcheco, Jonas, Zé Roberto, a jogar bonitinho prá ganhar nada..
    Futebol é prá pobre com vontade de vencer na vida e culhão prá enfrentar qualquer coisa: Andershow foi o grande jogador gremista dos ultimos tempos

  2. ROBINSON CAMPOS disse:

    Este texto teria que ser encaminhado ao vestiario para jogadores terem a conciêncio de como tem que ser para vencer ! parabêns pelo texto !

  3. Jonas Rodrigues disse:

    Concordo quase integralmente, em especial com a questão do principal problema do time : Elano e Zé Roberto. São dois meias sem força, sem vigor físico, sobrecarregam os dois volantes que são bons, mas tem que se desdobrar. Literalmente, os adversários, em um jogo decisivo, passam por cima de Elano e Zé Roberto.

  4. Carlos Penha Otero Junior disse:

    Vou resumir o que vejo do nosso Grêmio desde a vinda de Paulo Autuori: Uma tentativa de fazer com que peixe fique em árvores e pássaros embaixo da água, ou seja, fugir de sua natureza. O Grêmio de lá para cá esta perdendo sua identidade de ser um time de pegada. Adversários que jogarem contra nós tem que temer, tem que saber que o osso é duro de roer, que parapassar pela gente terá que parir uma bigorna. Isso não tem acontecido desde Paulo Autuori. Pergunto se a culpa é de todos os treinadores ou se não temos continuidade de trabalho nas diretorias que comandaram? Quando a doutrina é passada a frente, qualquer treinador que chegar sabe que tem colocar seu trabalho sobre um modelo pré- existente. Entendo que o primeiro passo é definir os parâmetros, depois criar as condições para executar esse plano estratégico. Feito isso, peças entram e saem e o modelo vitorioso permanece.
    SUGESTÃO TÁTICA A OBSERVAR: Meio campo em losango com Fernando, Zé Roberto, Elano e Vargas criando poder dar liga! O volante Souza recua pra zaga com Werley e acertamos a saída de bola qualificada de trás. O ataque com Barcos e Kleber. Acho equilibrado e forte. Abraços

  5. Carlos Penha Otero Junior disse:

    Em tempo: Sou mais o Anderson Pico com sobrepeso do que os alas esquerdos de 2013…

  6. Eduardo Lemos disse:

    Também sou sócio do Grêmio e li recentemente essa coluna por indicação de um amigo. Concordo plenamente e não movo uma vírgula.
    Esse carrossel malemolente, definição por mim criada para definir o sistema tática criado por Luxemburgo é o total desvirtuamento do que o Grêmio significa.
    Não ganhamos e nunca ganharemos nada com esse cidadão com sangue de barata.
    Não é porque ele não tenha capacidade de vencer ou porque nunca tenha vencido nada em sua vida, porque não entenda de futebol.
    É porque não se coloca um jacaré em uma corrida de 100 metros rasos, tem perna curta. Não se colocar uma avestruz em uma prova de natação, não consegue nadar.
    Luxemburgo e Grêmio são água e oléo. Não se misturam. Nunca vão se misturar. Por 10 minutos, 200 torcedores (em um estádio de 60 mil), comemoraram e gritaram o nome dele, em razão de alguns bons resultados graças a um 3o lugar no brasileiro, à epoca 2o lugar.
    Um bom resultado para o time que tinha, um resultado fraco para o Grêmio. Um resultado ruim para Luxemburgo.
    De 16 meses, 20 minutos de empatia entre um técnico e torcida é muito pouco.
    Mano, Felipão, Tite, Espinoza, Renato, pego a hitória recente só, foram técnicos que tiveram seus momento de crise, que foram poucos meses, no começo e no fim (felipão nem teve fim), mas que permaneceram por MUITOS MESES TENDO UM EXCELENTE relacionamento com a torcida.
    A relação de química e interação, paixão, entre técnico e torcida, que refletirá no rendimento do time, pode não ser fundamental em outras equipes, mas no Grêmio é essencial e só ganhamos nossos títulos assim.
    Nós empurramos todos nossos times junto de nossos técnicos em todas nossas conquistas históricas, em razão das características dos times que eles montaram, marcação, raça, determinação E QUALIDADE.
    Todos eles passaram 80% de seu tempo em namoro ou casamento com a torcida.
    Luxemburgo é uma relação de ódio por 16 meses, um péssimo relacionamento, água e óleo.
    Começou com ódio, prolonga-se com tolerância, passa por um 20,30% de empatia e cai novamente no ódio.
    Não existe.

    Ovelha não é pra mato.

    Luxemburgo não é pro Grêmio. E deu!

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