POR QUE FÁBIO KOFF

Carlos Gerbase

Vi Fábio Koff pela primeira vez quando ele foi fazer uma visita ao meu pai, José Gerbase, no final de 1981. Koff tinha então 50 anos e estava recolhendo apoios para sua candidatura à presidência do Grêmio. Meu pai, presidente do clube em 1946, já tinha 71 anos e, debilitado pela doença de Parkinson, mal saía do quarto. Eu tinha 22 e estava começando minha carreira como jornalista e cineasta. Mas a minha carreira de gremista já era longa. Começara nos anos 60 e atravessara incólume os quase sempre terríveis anos 70. Por isso mesmo, o título gaúcho de 1977, que eu comemorara com meu pai, nas cadeiras L5 e L7 do Olímpico, jamais sairá de minha memória.

A lembrança que tenho de Koff subindo as escadas da minha casa, rumo ao quarto do Dr. Gerbase, em 1981, é um pouco mais tênue. Mas depois, conversando com meu pai, entendi que aquele era um momento decisivo para a história do Grêmio, e ele decidira dar alguns telefonemas para ajudar aquele “jovem” que representava um novo rumo para o clube. Eu conhecia, pelo menos de vista, alguns dos velhos amigos de meu pai no Grêmio: Martin Aranha, Hermínio Bittencourt, Rudi Amin Petry, Saturnino Vanzelotti, Fernando Kroeff, Ary Delgado, Luiz Carvalho, Renato Souza, Mário Antunes da Cunha e Hélio Dourado (que, em 81, estava na presidência e levara o Grêmio ao seu primeiro título brasileiro). Meu pai deve ter trocado idéias com alguns deles. Naquela época, a eleição era decidida nessa política informal, e os resultados de campo não eram tão decisivos. Salvo engano, o voto do meu pai para Fábio Koff, foi por procuração, já que ele não tinha mais condições de sair de casa.

O Dr. José Gerbase morreu no inverno de 1982, antes da Libertadores e do título mundial de 1983. Foi dele que me lembrei nesses momentos de maior glória do nosso clube. E, inevitavelmente, ao ver Fabio Koff erguer a taça do mundial, também recordei que a última articulação política do meu pai fechara um ciclo vitorioso que tinha iniciado lá nos anos 40, quando, como presidente, arrancara os títulos municipal e gaúcho em tempos de vacas magras. Minha mãe, hoje com 93 anos, conta que meu pai acordava cedinho e ia ao Mercado Público comprar peixe mais barato (e mais fresco) para levar até a concentração do Grêmio, na Rua Felipe Camarão, e alimentar bem nossos jogadores. Ao lado do técnico Otto Bumbel, o Dr. Gerbase acreditava na saúde, na vontade e na superação para vencer no futebol.

É por isso, por essa ligação nostálgica e emocional, que vou votar em Fábio Koff. Ele está ligado à memória de meu pai e, de certo modo, à minha própria memória do Grêmio. Mas não é só por isso. Estive no ato de lançamento de sua candidatura, examinei seu programa e suas propostas, conversei com os demais membros de seu Conselho de Administração (que inclui Marcos Hermann, meu companheiro no Grêmio Imortal, e Adalberto Preis, a quem respeito e admiro há muito tempo). Vi o Dr. Hélio Dourado abraçar o Dr. Koff. Tenho certeza que eles vão cuidar bem do Grêmio na Era Arena.

Também respeito os demais candidatos. Tenho uma ligação afetiva com Paulo Odone, que é parente de meus dois maiores amigos de infância, Paulinho e Dinho Eichenberg. Votei em Odone na última eleição e acho que o Antonini trabalhou muito bem na construção da Arena. Mas agora é Koff. Não tenho dúvida que eleições fazem bem. Se tivéssemos alcançado uma conciliação – através do Raul Régis, a quem também aprendi a admirar como homem do futebol e presidente do Conselho – talvez levássemos para o próprio coração do governo gremista algumas contradições que cobrariam seu preço mais tarde. Acordos políticos são bons, mas às vezes geram tensões permanentes no cotidiano do cube. Quem ganhar essa eleição, com o voto da maioria dos associados, terá a enorme responsabilidade de comandar o Grêmio num período histórico. É bom que esse comando seja forte, unitário e democrático, pois a oposição sempre deve ter voz. Em memória do meu pai, mas também pensando no futuro do Grêmio, estou com Fábio Koff.

(Carlos Gerbase é Conselheiro do Grêmio e filiado ao Grupo Grêmio Imortal)

2 comentários para “POR QUE FÁBIO KOFF”

  1. Pedro Mostardeiro disse:

    Me identifico muito com a declaração do Gerbase, pois meu pai teve muita importância na minha vida e na minha paixão pelo Grêmio,pois foi ele quem me levou aos 5 anos ao Olímpico Monumental, ao qual nunca mais abandonei,há 29 anos.
    Quanto ao Dr. Koff,não tenho nenhuma dúvida que é a pessoa mais preparada para recolocar o Grêmio no cenário mundial do futebol,novamente.
    Precisamos pensar grande e tenho certeza que o Dr. Koff tem total capacidade de reerguer o nosso amado Tricolor dos Pampas.
    Vamos Koff!
    Vamos Grêmio!

  2. Mr.Mar disse:

    Demaisss Carlos Gerbase obrigado pela sua contribuição ao tricolor grandee historia.

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