A IDENTIDADE DO GRÊMIO

Caro Juliano, meu comentário é posterior ao GRENAL, já com resultado consumado… Tecerei comentários mais profundos do que apenas a análise do jogo, onde entendo que perdemos porque jogamos menos e, principalmente, porque “mordemos” menos do que eles. Estou lendo o livro intitulado ”A bola não entra por acaso” de Ferran Soriano (recomendo pela questão de gestão). Ao ler o livro fiquei fazendo perguntas que esse gerente do Barça fez quando assumiu: qual o produto vende o Grêmio? Qual a origem do nosso produto? Como buscar a torcida de volta ao estádio, pois a torcida estava se esvaziando… Bem quem desejar as respostas do Barça, procure no livro, vou passar o meu entendimento a essas questões, que explicarão a derrota do GRENAL. O produto do Grêmio é a raça dentro do campo de jogo, é o brio, a entrega a gana, a vontade de entrar na briga quando os outros sentem vontade de correr. Isso leva torcida a campo meus amigos, isso é a identidade do Grêmio. Identidade essa que 60% desse bando que veste o manto sagrado do Grêmio não tem dignidade suficiente para representar. Nos tempos de nossa primeira Libertadores, nossas copas do Brasil, nos tempos de Felipão meu amigos, o Grêmio fez escola e mostrou ao Brasil inteiro como se joga unindo muita força, raça e talento na medida certa. De Autuori para cá, o Grêmio resolveu ir contra sua característica prima, que, diga-se de passagem, contagiou Rio de Janeiro, São Paulo e até mesmo os Beira Lago. Senhores, inadmissível perder no jogo e no pau. O time do coirmão: entrou por cima com Tinga; Deu um chega pra lá com o Índio no primeiro tempo e intimidou o Bertoglio que não jogou mais de pavor; Fez o sem sangue do Gabriel desaparecer; Sandro Silva, Guinazu, Índio, Moledo, Dátolo, Tinga e outros… surraram o time do Grêmio todo com força, garra e preciso dizer com lealdade, como nós fazíamos há tempos atrás… meu Deus! Eles, detentores do futebol técnica, aprenderam com a gente. Nossa identidade foi defendida por Pará, Werley, Gilberto Silva, Fernando, Victor e Souza, o resto, borrou-se e fugiu da raia. Bem assim… Nossos argentinos, só posso crer, não nasceram lá. Parecem paulistas do tempo do Palmeiras do Luxa, que vinha aqui em Porto Alegre e voltava pra SP com montes de gols na cola, caneleiras partidas, canelas marcadas e dizendo que aqui era guerra e não futebol… que saudades desse tempo! Quero um time modesto, com muita pegada, com um ou dois talentos e o resto de jogadores que mordam, que levem para dentro de campo o desejo de vencer, de lutar e o orgulho de carregar no peito o distintivo do Grêmio. Perder é do jogo, mas perder ao natural, não é para o Grêmio! VONTADE e RESPONSABILIDADE AO BOTAR ESSA CAMISA… Ver jogadores com sangue de barata como Marquinhos, Marco Antonio, Gabriel, Miralles, André Lima e Leandro é de doer. O garoto Bertoglio me decepcionou quando não correu para dividir a bola com o Moledo na linha de fundo no primeiro tempo, fugiu de medo, e isso se explica no peitaço que recebeu do Índio no início do jogo. Tal qual lutador de boxe, na hora da encarada, ele desviou o olhar. Ali, poderia ter saído do jogo. Grêmio, busca tua identidade de volta, bota raçudos no campo, HOMENS em primeiro lugar, que viraram jogadores por consequência. Sairíamos vencedores dos aflitos se não fossem HOMENS em campo? A batalha de La Plata, teria a mesma história se não fossem HOMENS em campo? Contra Peñarol e América de Cali, na altitude, ou ainda contra a Portuguesa no Brasileiro ? Senhores da diretoria, analisem e vendam o produto certo, o Grêmio é mais que futebol, é o orgulho de ser gaúcho, ser pelhador e diferente. De brigar por cada espaço de campo, de brigar por bola perdida, de não temer nada nem ninguém: se estamos indo ao inferno, soquemos a cara do diabo. Onde mesmo surgiu o grito de Ah eu sou Gaúcho? Eu sei, foi no Olímpico! Precisamos fazer esse orgulho voltar e é na busca de identidade que encontraremos respostas. Abraço a todos

Carlos Otero

3 comentários para “A IDENTIDADE DO GRÊMIO”

  1. Paulo Ferrer disse:

    Excelente texto Otero. Percebeste bem o jogo e assini embaixo de tudo que escreveste. É inaceitável que o Grêmio tenha chutado a primeira bola na direção do gol adversário aos 3min. do 2º tempo. Foi vergonhoso. Não vamos chegar a lugar nenhum com este time. O meio-campo atual é muito inferior ao do ano passado. Fábio Rochemback é muito melhor do que Souza e L.Gago. Adilson era limitado no ataque porém eficiente no desarme e tinha raça. Com ele poderíamos adiantar um pouco mais o Fernando, para 2º volante, não mais do que isso, porque ele não é bom no ataque. Eu concordei com a saída do Douglas, mas Marco Antônio também não serve.

  2. Tania Ferrer disse:

    Concordo com as premissas, as queixas, as amarguras, os desesperos, etc. etc. etc. levantados e discutidos aqui ao final de cada jogo. No entanto, penso que é preciso ir adiante…quem sabe deixar chegar essas falas ao departamento de futebol do Grêmio. Quem sabe a diretoria, o técnico (e seus auxiliares…) os jogadores!!!
    Quem sabe passar a “barreira” administrativa e deixar que percebam o desencanto e o desespero dos torcedores. Quem sabe encaminhar estas análises, estas preocupações e …até sugestões de alternativas. São “falas” fortes mas responsáveis e, acima de tudo, falas de quem quer o Grêmio, não apenas na Arena, a nova casa, mas o Grêmio que nós conhecemos, seja em que casa for. A casa nova pode não representar nada se o time continuar de mal com a vida. É a minha impressão. É a minha vontade.

  3. Calos Otero disse:

    Novamente um pós jogo, mas dessa vez feliz!! Amigos, há luz no fim do túnel… a diretiva tricolor está vendo a mesma coisa que nós vimos no GRENAL. A entrevista do Luxa deixou clara a insatisfação com nosso baixo grau de comprometimento no clássico. Citou jogadores que não entenderam como deve ser a doação no GRENAL, ou que não encarnaram o espírito do jogo. Hoje, em Fortleza, vi um time mais aguerrido. Falta muito ainda, mas quando há acertos, não devemos deixar passar de forma incólume, é preciso salientar: Luxemburgo e a direção viram o mesmo que nós e cobraram mudanças. Já é um belo recomeço na busca de nossa identidade. Abraço a todos.

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