EM DIA DE DÚVIDAS, VAMOS PERDER A COPA ?

Desde junho de 2011 as obras de reformulação do Estádio Beira Rio encontram-se paralisadas.

Descrita em 2007 como “uma jóia que necessitava de pequenos reparos para atender as exigências da FIFA”, tal reformulação se enredou num emaranhado de divergências políticas quanto ao modelo de gestão e financiamento.

Contratada, iniciada, paralisada, com contratos assinados e não cumpridos e outros prometidos e nunca assinados, a tal “jóia” já mandou embora a Copa das Confederações e ameaça mandar também, pasmem, a Copa do Mundo.

Reconheço o esforço dos dedicados dirigentes do Internacional, alguns deles meus amigos, uns que fizeram o projeto e criaram o modelo de auto-financiamento e outros que divergiram e foram buscar parceiros para a realização da obra. Reconheço e entendo muito bem, por experiência própria, as pressões e constrangimentos sofridos pelos seus Conselheiros, que tiveram nove dias para tentar conhecer, entender e assumir posição a respeito de um contrato por certo extremamente complexo, que levou meses para ser elaborado e que envolve o futuro de um Clube Centenário. Reconheço e respeito o esforço de todos eles, até por respeitar a dedicação histórica dos dirigentes voluntários, que construíram e mantém o multi-campeão futebol brasileiro.

Entretanto, a reformulação de tal Estádio envolve interesses que estão muito acima dos de um ou outro Clube considerado individualmente.

Até o mais humilde cidadão, que talvez nem saiba ler, já ouviu falar dos investimentos, negócios, obras e, principalmente, empregos gerados por um evento de tal magnitude, parte deles já transformados em pó com a perda da Copa das Confederações.

Apesar de o Sport Clube Internacional ter assumido o compromisso, diante e em nome das autoridades e população de Porto Alegre e do Estado do Rio Grande do Sul, faltam 23 meses para expirar o prazo estabelecido pela FIFA para conclusão de tais reformas e, o que se lê, é que a Construtora parceira ainda não encontrou os investidores necessários para, só depois, assinar o Contrato amplamente negociado e aprovado.

Perdemos a Copa das Confederações e, olhando para outro lado, fico impressionado com a passividade das autoridades públicas, organizações empresarias, sindicatos e sociedade organizada de um modo geral, que muito pouco ou nada fizeram para demonstrar inconformidade com os prejuízos decorrentes, com os empregos jogados fora, com os negócios perdidos.

Li outro dia em jornal da Capital, que as Autoridades aguardam um cronograma de andamento das obras até 13/2/2012. Ora, é necessário antes o Contrato. Não tem qualquer validade um cronograma se não fizer parte de um contrato. Em tal cronograma sequer a data zero poderá ser fixada, pois os critérios para tal fixação são estabelecidos no Contrato. Sem ele, distintas Autoridades e cidadãos em geral, tudo, agora tudo, poderá virar pó.
Não dá para esperar mais e porque estou dizendo isto neste espaço do Grupo Grêmio Imortal, destinado a falar sobre o Tricolor ?

Porque o Grêmio tem solução para este impasse. Nossa Diretoria corretamente não diz isto, por questões éticas, para ser “politicamente correta”. Como Conselheiro e Associado do Clube talvez não devesse dizê-lo, não tenho certeza, mas como desportista, cidadão Gaúcho, Porto Alegrense de coração, que tem acesso a um espaço como este, entendo ter obrigação de manifestar-me.

A solução que o Grêmio tem, todos sabem, está sendo erguida com rapidez e imponência no Bairro Humaitá e sobre isto escreverei em outra oportunidade.

Por hora, com todo o respeito a todos os envolvidos, repito meu entendimento de que não há mais espaço para protelações. Não é mais hora de “confiar”. Precisamos de solução já.

Paulo Ferrer

3 comentários para “EM DIA DE DÚVIDAS, VAMOS PERDER A COPA ?”

  1. afonso disse:

    paul o – para quem acompanha desde o seu inicio, como integrante ou ex da comissao ou grupo da copa do mundo pelo Estado,inclusive, nos encontramos em varias reunioes – que nao nos levaram a lugar nenhum (meu ponto de vista), eram sempre relatorios do que se estava por fazer- e continua assim – uma pasmaceira constitucional, é lamentavel

  2. Roberto Hofmeister Pich disse:

    Prezado Paulo:

    Muito boa a reflexão. Acompanho pelos jornais e canais de notícias a situação relativa à reforma do estádio de nosso grande rival. É surpreendente e difícil de entender a pouca ou nenhuma indignação que a perda do papel de sede da copa das confederações, por Porto Alegre, gerou nos diversos setores da mídia. E, de fato, pouca pressão se nota com respeito à já famosa assinatura de contrato que é sempre datada para a “próxima semana”. Alguém pode explicar por que a Arena Tricolor não pode ser uma alternativa para a copa das confederações, no mínimo? Ou, dizendo em outras palavras: por que essa não seria uma boa idéia? Abraço, Roberto H. Pich

  3. Frederico disse:

    O dia 13/02 chegou. E?

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