OS GRUPOS ORGANIZADOS DE ASSOCIADOS

Tenho ouvido aqui e ali, que os “grupos organizados” prejudicam o Grêmio, que desde que eles surgiram o Clube não ganhou mais nada, que vivem brigando entre si, além de outras manifestações de desacordo com a existência dos mesmos ou quanto à forma de atuarem.

Mesmo que a freqüência de tais manifestações seja pequena, vou aproveitar este espaço para discordar frontalmente das mesmas e tentar demonstrar o tamanho do equivoco cometido pelos que assim se manifestam.

Como ponto de partida, chamo a atenção para o fato de que os grupos sempre existiram na vida do Grêmio.

O primeiro deles surgiu em 1903 e foi composto por diversos jovens que decidiram associarem-se para praticar um esporte que há pouco se tornara conhecido no Brasil, oriundo da Inglaterra. Assim nasceu o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

No entorno dos que jogavam surgiram curiosos para assisti-los, novos atletas, enfrentamentos com outros grupos, torcedores, dirigentes, atletas profissionais, treinadores, massagistas, roupeiros, funcionários e toda uma estrutura viva que compõe o Clube, fonte de tantas emoções a todos que dela participam.

Dentro desta estrutura viva surgiram lideranças extremamente importantes ao crescimento do Grêmio e, em torno delas, como ocorrem com todas as grandes lideranças, amigos, parceiros, colaboradores, seguidores e admiradores. Conheci ou ouvi falar dos grupos do Fachin, do Hélio Dourado, do Flávio Obino, do Dr. Irany Santana e outros, alguns existentes até hoje com novos nomes e formatações.

O continuado crescimento do Clube, com o aumento do número de associados e a natural tendência humana pela democracia, geraram na década passada grupos cuja liderança é mais difusa, desligados de um ícone, de um “grande líder”.

Fica claro, pelo exposto acima, que os grupos sempre existiram, criaram e participaram da construção deste Clube centenário, um dos maiores do Mundo. Porque então responsabilizá-los pelos fracassos dos últimos 10 anos ? Só nos últimos 10 anos é que se tornaram prejudiciais ?

Tampouco concordo que tais organizações vivam brigando entre si e que representem uma “rachadura” no Grêmio. Freqüentador de seus bastidores e colaborador do Clube, o que muito orgulha e enriquece a minha vida, vejo muito mais convergência e esforço de todos para torná-lo cada vez maior. As divergências, que fazem parte da convivência entre seres pensantes, na maior parte das vezes ocorrem entre indivíduos, não entre grupos, são pontuais, respeitosas e se dão em torno de idéias.

Estou convicto que os grupos, como estão organizados hoje, representam células modernas e indispensáveis ao funcionamento do Grêmio. Considero-os fundamentais na organização democrática de um Clube com mais de 50.000 associados, dando-lhes voz e oportunidades de participação na sua vida. São espaços franqueados aos mesmos, destinados à discussão dos assuntos do Tricolor, fonte de idéias e de novos dirigentes tão necessários à sua continuidade.

Penso que podemos e devemos evoluir na sua organização e, por isso nosso Grupo Grêmio Imortal propôs e está tramitando no Conselho Deliberativo um projeto de regulamentação dos mesmos.

Esta é a forma como enxergo os grupos e por isto participo de um deles. Venham participar do Imortal e, tenho certeza, vão acabar concordando comigo.

Paulo R.F. Ferrer

Comente