QUE VENHA LOGO 2012

Iniciar um novo ano sempre me traz a sensação de recomeço. De “zerar a quilometragem” e iniciar caminhos na busca de conquistas.

Esta “ficção” criada pelo homem – o calendário – nos permite terminar um ciclo e começar o próximo. O que, para os otimistas, como eu, serve de motivação e alegria.

Há mais de 10 anos o Grêmio inicia o “novo ciclo” com a esperança de que possamos viver novamente as vitórias e títulos a que nos acostumamos. A verdade é que a falta de um melhor planejamento para o futebol tem nos levado, a cada fim de temporada, a pensar que somente na próxima nossas alegrias serão viáveis.

Ao que tudo indica 2012 deve começar com melhores perspectivas. É inegável que as contratações capitaneadas por Paulo Pelaipe fazem crer em um Grêmio protagonista das competições que irá participar. E vejam que a diretoria de futebol tem buscado jogadores consagrados, porém também apostas, com criatividade, o que para mim é a receita ideal de sucesso dentro das quatro linhas. Jogador deve atuar com ambição na sua carreira. Sem esquecer a questão comercial, onde se “compra por menos” e, depois do sucesso, se “vende por mais”.

Bem, então diante do otimismo, seria o caso de esquecermos 2011? Apagar da memória o ano que, na minha opinião, está entre os piores da história do Grêmio? Não. A análise dos erros é o primeiro passo para a correção de rumos e busca do objetivo.

2011 é exemplo de como “não se deve fazer futebol”. E aqui o que menos importa é identificar os culpados – isso a história há de revelar – sem prejuízo da conclusão que cada um pode tirar ao ler esta coluna.

Os constrangimentos enfrentados pela torcida do Grêmio no ano que se vai foram massacrantes. E não estou falando aqui apenas de derrotas e empates acachapantes, decepcionantes e frustrantes. Nem somente da postura quase sempre indolente do time em campo. Sequer digo exclusivamente da nítida covardia e falta de ambição da equipe quando enfrentando adversários.

Pretendo enumerar, para que não sejam esquecidos, aqueles episódios que mais marcaram esta triste temporada.

E como grande comandante da mesma, não há como não lamentar a postura via de regra adotada pelo nosso Presidente, que após derrotas e empates se fazia ausente nas explicações ao torcedor. Ou quando, ao se manifestar, grifava que estava focado na construção da Arena, como se o Grêmio pudesse parar sua história para esperar pela finalização da obra.

O Grêmio começou 2011 ainda esperando pelo Rodrigo Caetano, que não veio. E não esqueçamos que a eleição foi em setembro, mudança no estatuto que justamente pretendia dar tempo à nova gestão de planejar e trabalhar antes do início da temporada seguinte.

Depois todas as fichas e energia foram depositadas na tentativa de contratar um rapaz – perdoem, mas desde o início dos anos 2000 eu não escrevo o nome deste elemento – que boa parte da torcida ainda nem podia ouvir falar. E como se não bastasse, tal energia, que foi capaz inclusive de carregar caixas de som para dentro do Olímpico e impulsionar discurso do Presidente ao receber os demais atletas em início de temporada, se esvaiu em um belo “chapéu” dado pela mesma família, que desde os tempos de adolescência do irmão e filho mais velho trata o Grêmio com desdém e desrespeito.

A energia empregada neste “projeto” faltou para a manutenção do nosso goleador, Jonas, que foi embora por uma quantia módica.

Enquanto isso, nosso treinador, ídolo maior do clube, anunciava que não viajaria com o time para os jogos no interior do Rio Grande do Sul.

Faltou energia também ao decidir um título dentro do Olímpico, com vantagem no regulamento, entregando a taça para nosso tradicional rival.

Logo após, um dos melhores centroavantes do país foi literalmente dispensado, demitido, sem que nada de mais grave tivesse servido de justificativa para isso. Grupo de jogadores não deve ser administrado, como em qualquer empresa?

Enquanto isso Rafael Marques, tantas vezes alvo de liberação por evidentes deficiências técnicas e de posicionamento, seguiu titular absoluto, durante toda a temporada.

Os constrangimentos pareciam ter encontrado seu ápice quando o Presidente anunciou a contratação de Wellington Paulista. Viria para substituir Borges. O alerta veio da imprensa, minutos depois, de que o atleta não teria condições legais para atuar por mais um clube no Brasileiro.

A diretoria executiva atingia publicamente o departamento de futebol. Que por sua vez respondia, com indignada razão, ante a falta de respaldo.

E o ano foi caminhando, com mudanças de emergência, pequenas melhoras e péssimas jornadas a cada rodada.

Torcia, confesso, para terminar logo. As piadas dos adversários massacravam o orgulho dos gremistas, já quase sem argumentos para responder.

Mas ainda faltava jogarmos um GRE-NAL melancólico para nós e decisivo para eles, antecedido por uma semana em que o treinador do Grêmio anunciou que não seguiria no comando do time em 2012. O resultado no jogo não poderia ser outro, com a equipe se comportando de forma desanimada e preguiçosa, proporcionando jogadas não aceitas em partidas de amigos/amadores, e levando mais uma vez o torcedor a sentir vergonha.

O Kleber, Gladiador, também foi vítima e/ou protagonista das trapalhadas do Grêmio em 2011. Veio a Porto Alegre para reunião de portas fechadas, redundando em divulgação/vazamento de grande evento. Não disse que acertaria com o Grêmio, deixando o torcedor mais uma vez se sentindo usado em negociações e depois fez um “tur” pela Cidade.

Assim foi o ano de 2011. Um dos piores da história do Grêmio dentro de campo.

Para 2012, espero que os constrangimentos e as vergonhas que passamos sirvam de aprendizagem. E que nossas esperanças e otimismo não se esvaiam antes mesmo de março.

Vamos Grêmio, vamos! Estarei contigo sempre e para sempre!

É a minha opinião.

Juliano Ferrer

1 comentário para “QUE VENHA LOGO 2012”

  1. Paulo Roberto Faria Ferrer disse:

    Nunca ví uma sequência igual de “micos”. O resultado não poderia ser outro. Isto que desconsiderasse a contratação do Carlos Alberto, problema em todos os Clubes que passou, do Vinícius Pacheco, com um enorme currículo de empréstimos por parte do Flamengo, todos sem sucesso . E a contratação do Sorondo ? Vão gostar de correr riscos assim lá em Cacimbinhas.

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